Escritores gaúchos têm vindo a público para repudiar o discurso racista do presidente da Academia Rio-Grandense de Letras (ARL), Airton Ortiz, proferido nesta quinta-feira (12), durante a entrega do prêmio da entidade.
Em sua fala, Ortiz disse que com frequência é perguntado por que o Parthenon Literário, fundado em Porto Alegre em 1868, foi criado décadas antes da Academia Brasileira de Letras, que é de 1901. Ele afirma que isso se deve à influência da imigração alemã e italiana, enquanto o resto do país teria sido “colonizado” por escravizados negros.
A afirmação causou revolta. A escritora Eliane Marques, uma mulher negra, que momentos antes havia sido premiada por seu romance “Louças de família” (Autêntica Contemporânea), pediu a palavra. Ela subiu ao palco acompanhada de outros vencedores da premiação e repudiou o discurso de Ortiz. “Eu peço a essa academia de letras uma retratação pública por escrito em razão de uma fala não apenas inadequada, mas racista, do senhor presidente”, afirmou.
Marques, cujo romance investiga a opressão racial sofrida por gerações de uma família negra, lembrou que o fundador da Academia Brasileira de Letras foi um escritor negro, Machado de Assis, e citou outros autores negros, inclusive gaúchos e contemporâneos, como Ronald Augusto, Luiz Maurício Azevedo e Fernanda Bastos.
