O emagrecimento rápido — seja por uso de medicamentos, cirurgia bariátrica ou dietas restritivas — pode causar alterações visíveis no rosto, popularmente conhecidas como “rosto de Ozempic” ou “derretimento facial”. O fenômeno está associado à perda brusca de gordura subcutânea e à redução do colágeno, resultando em flacidez e aspecto envelhecido.
Um estudo publicado no Aesthetic Surgery Journal em 2024 apontou que a perda acelerada de peso, especialmente com o uso de análogos de GLP-1 (como o Ozempic), pode provocar envelhecimento facial precoce. As áreas mais afetadas são as maçãs do rosto, os olhos, a boca e o pescoço.
A dermatologista Ana Carolina Sumam explica que a sustentação do rosto depende de compartimentos de gordura específicos, que diminuem com o emagrecimento. “Quando o corpo perde gordura rapidamente, a pele não consegue acompanhar a mudança. O resultado são sulcos mais profundos, pele flácida e aparência cansada”, afirma.
O dermatologista e cirurgião plástico Cristopher Cunha reforça que a idade também é um fator determinante. “A partir dos 40 anos, a produção de colágeno cai naturalmente. Se a perda de peso for muito rápida, o rosto sente o impacto com ainda mais intensidade”, diz.
Como prevenir o “rosto de Ozempic”
A principal recomendação é evitar o emagrecimento abrupto. “O ideal é perder entre 0,5 e 1 quilo por semana, mantendo hidratação adequada e acompanhamento médico”, orienta Sumam. A especialista também indica massagens faciais, exercícios para o tônus muscular e suplementação de colágeno hidrolisado.
Tratamentos preventivos com bioestimuladores de colágeno (como Sculptra e Radiesse) ajudam a fortalecer a estrutura da pele, enquanto uma rotina de skincare com retinoides, vitamina C e protetor solar diário potencializa a firmeza e a regeneração da pele.
Como tratar o problema
Quando o “rosto de Ozempic” já se instalou, há diferentes estratégias para recuperar o volume facial. Para casos leves, dermatologistas indicam bioestimuladores e biorremodeladores teciduais à base de ácido hialurônico, como o Profhilo, que estimulam a produção natural de colágeno. Já os preenchedores de ácido hialurônico podem devolver volume em áreas específicas, como as maçãs do rosto e o sulco nasogeniano.
“Esses produtos não só devolvem suporte à pele como também melhoram a hidratação, já que o ácido hialurônico atrai água para o tecido”, explica Cunha.
Nos casos mais severos, tratamentos como radiofrequência, ultrassom microfocado (Ultherapy) e laser fracionado podem ser combinados a fios de sustentação com PDO. “O tratamento deve ser sempre personalizado e gradual, respeitando a anatomia e as características de cada paciente”, completa Sumam.
*Da Agência Fonte Exclusiva.
