Novas pesquisas apontam que a depressão não é um transtorno homogêneo, e que fatores inflamatórios e metabólicos desempenham papel central em uma parcela significativa dos casos.
Essa perspectiva vai além do tradicional desequilíbrio de neurotransmissores, como serotonina e dopamina, oferecendo explicações para sintomas persistentes e resistência a tratamentos convencionais.
Estudos indicam que entre 20% e 30% dos pacientes apresentam um subtipo chamado depressão imunometabólica. Nesse perfil, processos inflamatórios de baixo grau e alterações no metabolismo, incluindo disfunções na sinalização de insulina e no processamento de glicose, afetam diretamente o cérebro.
Os sintomas típicos diferem da depressão clássica e incluem fadiga intensa, sonolência excessiva, aumento do apetite e perda de prazer nas atividades diárias, refletindo um desequilíbrio bioenergético cerebral.
A insulina, além de regular o metabolismo periférico, atua em regiões do cérebro ligadas à motivação, humor, memória e controle do apetite. Quando há resistência à insulina ou inflamação crônica, essas áreas recebem energia insuficiente, mesmo com excesso calórico no corpo, gerando impacto no humor e na cognição.
Esse quadro está associado a maior risco de depressão, menor plasticidade neuronal, fadiga persistente e dificuldades na resposta ao estresse.
Além de afetar a saúde mental, pacientes com depressão imunometabólica apresentam maior probabilidade de desenvolver doenças cardiometabólicas, como diabetes tipo 2, hipertensão e esteatose hepática, formando um ciclo que retroalimenta sintomas e complicações metabólicas.
A abordagem da psiquiatria moderna busca integrar esses fatores à prática clínica, considerando alimentação, sono, exercícios físicos e manejo do estresse como elementos essenciais para otimizar o tratamento.
Nutrientes específicos, como vitaminas do complexo B, vitamina D, minerais como magnésio, zinco e selênio, e gorduras ômega-3, são fundamentais para manutenção da neurotransmissão, plasticidade cerebral e controle inflamatório, complementando medicação e psicoterapia.
Reconhecer a depressão imunometabólica permite tratar sintomas persistentes de forma mais precisa, compreendendo que fadiga, alterações de apetite e esgotamento podem refletir processos biológicos mensuráveis.
Essa visão integrada do corpo e da mente amplia possibilidades de prevenção, tratamento e recuperação, representando um avanço significativo na compreensão da complexidade do transtorno depressivo.
*Da Agência: Fonte Exclusiva
