Numa época em que o poder da influência é dominante e se acredita em tudo que é promovido na internet, desde jogos de aposta a medicamentos, especialistas da ciência encaram uma grande dificuldade no diálogo com o grande público para refutar a divulgação de hábitos e produtos que podem ser prejudiciais à saúde das pessoas.
Em busca de uma solução para driblar essa realidade nociva, a bióloga e atriz Mari Krüger, formada em Ciências Biológicas pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, decidiu produzir conteúdos rápidos, informativos e com uma pitada de humor sobre o universo científico, unindo seu carisma a informações valiosas. E foi uma tentativa bem-sucedida, já que os vídeos apresentados por ela se tornaram um grande sucesso, além de um serviço para desmistificar as soluções milagrosas espalhadas pela internet.
Em entrevista a Marie Claire, Krüger explica o porquê de se aventurar nesse mundo pouco explorado online e enaltece o serviço que presta ao expor os riscos do consumo de um produto médico apenas porque foi indicado por alguém, sem uma checagem prévia.
“Vivemos um momento anticientífico, com muitas dúvidas. Falar através de artigos não é errado, mas vai deixar a grande massa confusa. É um terreno delicado. Fui aprendendo a comunicar ciência focada em solucionar os problemas do cotidiano, não em trazer mais desconfianças e desinformação”.
O perigo da influência
Por viver os dois lados da moeda, tanto influencer, quanto cientista, dois dos assuntos que preocupam Mari é o comércio de suplementações pouco eficazes e a propaganda feita por criadores digitais que prometem uma mudança transformadora.
Ela também já teceu críticas às famosas gominhas para crescimento de cabelos, fortalecimento de unhas e melhor qualidade do sono, já que os resultados exibidos por influencers podem não corresponder à realidade.
“A problemática desses suplementos é que, muitas vezes, as pessoas tentarão cobrir o sol com a peneira, deixando de procurar um diagnóstico ou um tratamento adequado, porque ‘aquela influencer falou que funciona’”, pontua.
Krüger acredita que para os produtores de conteúdo o lucro é mais atrativo e, por isso, não há uma pesquisa profunda sobre o que estão vendendo, é mais fácil divulgarem o efeito positivo dos medicamentos milagrosos. “Essa coisa que dizem de ‘funcionou em mim’ tem muitas nuances. Será que foram as gominhas que fizeram a influencer dormir melhor, comer melhor, ter uma pele mais bonita? Ou será que é porque ela tem acompanhamento com personal trainer, nutricionista e tratamento estético? É uma ilusão”, provoca.
A influência dos criadores pode ser usada a favor da ciência?
Nas redes, Mari Krüger atinge mais de dois milhões de seguidores. E, na sua visão, é preciso que conteúdos científicos que combatam a desinformação sejam produzidos em maior escala por grandes influenciadores e tenham mais alcance nos algoritmos das redes sociais. Ela analisa que muitos deixam de falar sobre ciência por não fazer parte do nicho que representam.
“É insensível ver influenciadores falando de compras, sobre a vida de luxo e a prática de atividades físicas, enquanto ignoram o que está acontecendo. É preciso lembrar que, a partir de nós, as pessoas se informam. Em casos assim, precisamos falar de política, ciência. Não somente de posicionamento, mas sim de voto consciente, sobre o quanto governantes podem fazer pelo nosso futuro”, diz ela.
A diminuição do consumo da mídia tradicional faz com que as pessoas se informem mais através das redes sociais, o que é um risco em potencial: “As redes não servem apenas para o entretenimento. Por ter essa facilidade de alcançar muitas pessoas ao mesmo tempo, temos muito poder em nossas mãos. Influenciamos pessoas e precisamos influenciar elas a estarem informadas dos fatos.”
Da Agência Fonte Exclusiva.
