A elevação do colesterol durante a gravidez pode fazer parte das mudanças naturais que ocorrem no organismo da mulher.
Essas alterações estão relacionadas às novas necessidades metabólicas da gestação, mas níveis muito elevados, principalmente de triglicerídeos, precisam ser avaliados por profissionais de saúde.
O colesterol exerce funções importantes no organismo, participando, entre outras atividades, da formação e manutenção das células.
Durante a gestação, modificações no metabolismo podem elevar naturalmente a concentração de gorduras no sangue.
A preocupação aumenta quando os valores ficam acima do esperado ou quando a gestante já apresentava alterações antes da gravidez.
Segundo a endocrinologista da Fiocruz Lizanka Marinheiro, mulheres com níveis muito elevados de colesterol ou triglicerídeos precisam de atenção especial.
O acompanhamento também é importante para quem já tinha colesterol alto antes da gestação ou apresenta fatores como diabetes, hipertensão, obesidade e histórico familiar de níveis elevados de colesterol.
Risco aumenta em algumas situações
Alterações importantes no metabolismo das gorduras podem estar associadas a complicações durante a gravidez. Entre as condições que merecem atenção estão a diabetes gestacional e a pré-eclâmpsia.
Isso não significa, porém, que toda gestante com colesterol elevado precise utilizar medicamentos. Na maioria das situações, a conduta depende da avaliação individual e deve ser definida durante o acompanhamento pré-natal.
A alimentação também tem papel importante no controle da saúde metabólica. A recomendação é manter uma dieta equilibrada, priorizando alimentos naturais e evitando o consumo exagerado de produtos que podem contribuir para o aumento das gorduras no sangue.
Entre os alimentos que devem ser consumidos com moderação estão aqueles ricos em gorduras saturadas, produtos ultraprocessados, bebidas açucaradas e alimentos com excesso de carboidratos refinados.
Ao mesmo tempo, dietas muito restritivas não são recomendadas sem orientação profissional, já que a gestante precisa receber quantidade adequada de energia e nutrientes para manter a própria saúde e contribuir para o desenvolvimento do bebê.
Atividade física pode ajudar
A prática de exercícios também pode fazer parte dos cuidados durante a gravidez. Quando não há contraindicação obstétrica, atividades físicas adequadas podem favorecer a saúde cardiovascular e metabólica da gestante.
A gravidez, portanto, não significa necessariamente interromper as atividades físicas ou permanecer em repouso. A prática deve respeitar as condições de cada mulher e seguir as orientações da equipe responsável pelo pré-natal.
A combinação entre alimentação equilibrada, atividade física quando liberada e acompanhamento médico pode contribuir para uma gestação mais saudável.
Por isso, alterações nos exames de colesterol e triglicerídeos durante a gravidez não devem ser interpretadas isoladamente. A avaliação profissional permite diferenciar as mudanças esperadas do organismo durante a gestação de situações que exigem investigação ou cuidados adicionais.
*Da Agência Fonte Exclusiva
