O cinema será o ponto de partida para uma série de conversas sobre saúde mental, depressão, suicídio e luto durante a programação do Setembro Amarelo no Solar dos Mellos, em Macaé. Ao longo de setembro, o museu promove três sessões gratuitas do projeto Cinema Comentado, seguidas de discussões com profissionais da área.
A programação começa nesta segunda-feira (8), às 19h, com a exibição do documentário “Elena”. No dia 22, também às 19h, será apresentado “Para os que ficam”. Já no dia 24, o público poderá acompanhar “Outro lado da ponte”, produção de Macaé exibida dentro do projeto Curta no Museu.
A proposta é utilizar o cinema como ferramenta para abordar situações relacionadas à saúde mental que nem sempre são percebidas com facilidade. Depois das sessões, os participantes poderão conversar sobre os temas apresentados nas produções e discutir formas de acolhimento e apoio.
Especialistas participam dos debates
Os debates contarão com a participação de profissionais que atuam na área de saúde mental.
Uma das convidadas é Blandina Daniel Piccinini, psicóloga e mestra em Atenção Psicossocial pelo Instituto de Psiquiatria da Universidade Federal do Rio de Janeiro (IPUB/UFRJ). Ela também integra a Pró-Reitoria de Políticas Estudantis da UFRJ (PR7), em Macaé.
A programação também terá a presença de Viviane Vieira de Souza Marques, psicóloga clínica com formação em Psicanálise e Análise do Contemporâneo pela PUC e em Cuidados Paliativos pelo Hospital Israelita Albert Einstein.
Segundo a organização, a escolha dos filmes levou em consideração a maneira como cada produção aborda experiências relacionadas à perda, ao sofrimento emocional e ao suicídio. As obras também apresentam depoimentos e relatos de pessoas que pesquisam ou trabalham diretamente com essas questões.
A intenção é estimular uma conversa responsável sobre o tema, sem recorrer ao sensacionalismo e respeitando a complexidade das histórias apresentadas.
Projeto busca ampliar o diálogo sobre suicídio
Para o curador do Cinema Comentado, Gerson Dudus, falar sobre suicídio de maneira adequada é importante para ampliar a conscientização e aproximar a população das redes de apoio.
“É um tema de saúde mental importantíssimo. De 2015 para cá, o suicídio se tornou uma das maiores causas de morte violenta no mundo. Para a OMS, é uma epidemia. E a OMS acredita que é preciso que a gente fale mais sobre o suicídio, de modo adequado, respeitoso, mas que se fale sobre o assunto”, afirmou.
O curador também chama atenção para a dimensão do problema e para a importância de ampliar o acesso à informação e ao acolhimento.
Filmes apresentam histórias marcadas por perdas
No dia 8, a programação começa com “Elena”, documentário dirigido por Petra Costa e lançado em 2012.
A produção conta a história da irmã mais velha da diretora, a atriz Elena Andrade. Para reconstruir a trajetória da jovem e as marcas deixadas por sua morte na família, o filme reúne depoimentos, fotografias, imagens de arquivo e entrevistas.
A obra aborda temas como memória, depressão, relações familiares e suicídio. Ao longo dos anos, “Elena” passou por diversos festivais e recebeu reconhecimento em eventos no Brasil e no exterior.
No dia 22, será a vez de “Para os que ficam”, documentário dirigido e roteirizado por Susanna Lira, lançado em 2023.
O filme concentra a atenção nas pessoas que precisam reconstruir a própria vida depois da perda de alguém por suicídio, conhecidas como sobreviventes enlutados. A produção apresenta diferentes experiências de luto e as dificuldades enfrentadas após uma perda traumática.
Produção de Macaé encerra programação
A terceira sessão será realizada no dia 24 de setembro, às 19h, dentro do projeto Curta no Museu. O público poderá assistir a “Outro lado da ponte”, documentário produzido por Alice Tavares e Leonardo Saleh.
A produção reúne histórias de migrantes que vivem no Parque Aeroporto, um dos maiores bairros de Macaé. O filme apresenta memórias, trajetórias pessoais, sonhos e expectativas dessas pessoas, além da relação construída por elas com o município.
A Ponte da Barra aparece como um elemento simbólico da produção, representando a divisão entre diferentes realidades da cidade. O documentário procura dar espaço a histórias que, segundo os realizadores, tiveram pouco registro diante das transformações pelas quais Macaé passou.
“Outro lado da ponte” foi selecionado pelo Edital 007/2023 da Secretaria Municipal de Cultura de Macaé e recebeu recursos da Lei Paulo Gustavo.
Serviço
Local: Solar dos Mellos – Museu da Cidade de Macaé
Endereço: Rua Conde de Araruama, 248, Centro
8 de setembro, às 19h: “Elena”
22 de setembro, às 19h: “Para os que ficam”
24 de setembro, às 19h: “Outro lado da ponte”
Entrada: gratuita
*Da Agência Fonte Exclusiva
