Relatos como o da médica dermatologista Paula Sian expõem os efeitos profundos que ambientes de trabalho tóxicos podem causar na saúde mental.
Ela descreve uma rotina marcada por gritos, humilhações e cobranças pouco claras, que resultaram em sintomas físicos e emocionais, incluindo uma crise de pânico. Segundo o relato, o clima de pressão psicológica era recorrente entre colegas, especialmente durante o período de trabalho remoto na pandemia.
Especialistas alertam que sinais como insônia, dores de cabeça, taquicardia, sudorese, problemas gástricos e falhas de memória podem indicar níveis elevados de estresse.
Em situações mais graves, esses quadros podem evoluir para a Síndrome de Burnout, condição caracterizada por exaustão extrema, queda de desempenho e sensação constante de incapacidade.
O problema tem ganhado dimensão no Brasil. Dados do Instituto Nacional do Seguro Social e do Ministério da Previdência Social do Brasil mostram que, em 2025, quase meio milhão de afastamentos do trabalho foram causados por transtornos mentais, principalmente ansiedade e depressão.
O cenário tem ampliado o debate sobre a necessidade de mudanças nas relações de trabalho.
Como resposta, o governo federal atualizou a Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), que trata da segurança e saúde no ambiente profissional.
A partir de maio, empresas passam a ser obrigadas a identificar e gerenciar riscos psicossociais, como excesso de pressão, metas inalcançáveis, falhas de liderança e ambientes hostis.
Segundo especialistas em psicologia organizacional, a nova exigência vai além do diagnóstico e demanda ações práticas, como treinamentos, capacitação de lideranças e implementação de programas voltados à saúde mental.
O objetivo é prevenir o adoecimento emocional e atuar diretamente nas causas dos problemas.
O impacto também é econômico. Estimativas da Organização Mundial da Saúde e da Organização Internacional do Trabalho indicam que cerca de 12 bilhões de dias de trabalho são perdidos anualmente no mundo devido à ansiedade e depressão, gerando prejuízos próximos de 1 trilhão de dólares.
Especialistas destacam que negligenciar a saúde mental pode levar ao aumento de afastamentos, rotatividade, processos judiciais e queda de produtividade.
Por outro lado, ambientes mais equilibrados tendem a melhorar o desempenho e o bem-estar das equipes.
Diante de sintomas persistentes de estresse ou esgotamento, a orientação é buscar apoio profissional.
O acompanhamento médico e psicológico é fundamental para evitar a progressão dos quadros e garantir qualidade de vida dentro e fora do ambiente de trabalho.
*Da Agência Fonte Exclusiva.
