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De crítico a aderente: Tarcísio sanciona lei e coloca São Paulo em programa de dívidas do governo Lula

- Lula e Tarcísio Gomes de Freitas (Ricardo Stuckert PR / Reprodução de vídeo)

Tarcísio recua, engole críticas e adere a programa de Lula para renegociar dívida bilionária de São Paulo

Após meses de críticas ao governo Lula, governador recua e permite entrada do estado no Propag, que pode reduzir em bilhões a dívida paulista com a União.

Redação Por Redação
31/12/2025 - 10:38
em Política
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Depois de meses de resistência pública e em meio a uma dívida estadual superior a R$ 300 bilhões, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), sancionou a Lei nº 18.380/2025, que autoriza oficialmente a adesão do estado ao Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag). O mecanismo foi criado pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para renegociar débitos bilionários dos entes federativos com a União.

A sanção foi publicada no Diário Oficial do Estado na última sexta-feira (26), após aprovação do projeto pela Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp). A decisão marca uma mudança significativa no discurso do governador, que no início de 2025 descartava a adesão e apontava riscos jurídicos e fiscais no modelo proposto pelo governo federal.

São Paulo concentra hoje a maior dívida estadual do país. De acordo com estimativas do Tesouro Nacional, a adesão ao Propag poderá permitir que o estado deixe de pagar aproximadamente R$ 63 bilhões à União ao longo do novo contrato de refinanciamento, aliviando de forma expressiva a pressão sobre o caixa paulista.

A decisão de Tarcísio acompanha o movimento de outros governadores alinhados ao campo bolsonarista, como Cláudio Castro (PL), do Rio de Janeiro, e Romeu Zema (Novo), de Minas Gerais. Inicialmente, o programa enfrentou forte resistência entre chefes do Executivo estadual, mas passou a ganhar adesões após alterações promovidas pelo Congresso Nacional, que flexibilizaram pontos centrais da proposta.

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Cotado por setores do mercado financeiro como possível alternativa de “terceira via” para as eleições presidenciais de 2026, apesar do apoio público do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), Tarcísio acaba aderindo a um programa formulado e defendido pelo governo Lula. O recuo evidencia o peso da realidade fiscal sobre o discurso político, especialmente em estados altamente endividados.

Mudança de posição e pressão nas contas
No início do ano, o Palácio dos Bandeirantes chegou a anunciar oficialmente que São Paulo ficaria fora do Propag, alegando insegurança jurídica e impacto negativo nas finanças estaduais. A reversão do posicionamento ocorreu após o Congresso derrubar vetos presidenciais ao texto do programa, tornando o modelo mais atrativo para os estados.

Com as mudanças, passou a ser permitida a utilização de recursos futuros do Fundo Nacional de Desenvolvimento Regional (FNDR) para amortização das dívidas. No caso paulista, a medida possibilita a redução de até 20% do estoque total do débito, além de uma queda relevante nas taxas de juros aplicadas, o que melhora o perfil financeiro da renegociação.

Entenda o Propag

Instituído pela Lei Complementar nº 212/2025, o Propag funciona como uma espécie de programa de refinanciamento das dívidas estaduais. Ele prevê a revisão dos critérios de correção monetária, alongamento dos prazos de pagamento e redução dos juros incidentes sobre os débitos com a União.

Como contrapartida, os estados participantes assumem o compromisso de direcionar parte da economia gerada com a renegociação para investimentos públicos e ações voltadas ao desenvolvimento regional. A proposta do governo federal busca aliviar o estrangulamento fiscal dos estados sem comprometer o equilíbrio das contas federais no médio e longo prazo.

Recebíveis de petróleo e garantias

No caso específico de São Paulo, a lei sancionada autoriza a utilização de recebíveis provenientes da exploração de petróleo e gás natural como forma de pagamento das parcelas renegociadas. Esse instrumento é considerado fundamental para viabilizar o acordo financeiro.

A norma também permite a manutenção das garantias já existentes nos contratos ou a concessão de novas garantias, conforme as regras estabelecidas na legislação federal. Com isso, a Lei nº 18.380/2025 autoriza formalmente o Executivo paulista a firmar contratos e termos aditivos no âmbito do Propag, além de regulamentar os instrumentos financeiros que poderão ser usados na amortização da dívida estadual.

*Da Agência Fonte Exclusiva

Tags: #Alesp#Brasil#DívidaEstadual#Economia#GovernoLula#PolíticaEconômica#Propag#RenegociaçãoDeDívidas#SãoPaulo#TarcísioDeFreitas
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