O cancelamento do debate presidencial que seria transmitido pela TV Globo nesta quinta-feira (1º) provocou reação de Renan Santos (Missão). O candidato afirmou ter sido surpreendido pela suspensão do encontro após uma decisão do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizar sua participação no programa.
Em um vídeo publicado nas redes sociais, Renan questionou a decisão da emissora e afirmou que sua equipe havia se deslocado até a sede da Globo, no Rio de Janeiro, mas não conseguiu entrar no local.
“Que caos, que caos. Rede Globo, por que você não manteve o debate?”, afirmou o candidato.
Renan também relacionou o cancelamento à desistência de Flávio Bolsonaro (PL), que havia anunciado que não participaria do encontro. Segundo o candidato do Missão, a decisão de Flávio ocorreu poucos minutos antes da determinação judicial que garantiu sua presença no debate.
“O medo, a paura que esse cara tem de mim fez o cancelamento dele rolar três minutos depois”, declarou Renan.
A justificativa apresentada por Flávio, no entanto, estava relacionada a outra decisão judicial. Antes da determinação de Gilmar Mendes, a ministra Estela Aranha, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), havia proibido a Globo de manter um púlpito vazio identificado para Lula e também de permitir perguntas dirigidas ao candidato ausente. Flávio classificou a medida como “censura” e anunciou sua desistência do programa.
Renan critica ausência de candidatos
Após o cancelamento, Renan lamentou a suspensão do debate e criticou a ausência de Lula e Flávio Bolsonaro. Além dos dois, estavam previstos inicialmente Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo) e Augusto Cury (Avante).
Caiado, Zema e Cury já estavam na sede da Globo quando a emissora comunicou que o programa não seria realizado.
Renan afirmou que os dois candidatos ausentes estariam evitando o confronto com os demais concorrentes e criticou o fato de o eleitor não ter acompanhado o encontro.
“Os candidatos Lula e Flávio Bolsonaro fugiram mais uma vez. E por conta dessa fuga, não haverá debate”, declarou.
Em outra publicação, o candidato afirmou: “Você, brasileiro, não terá debate algum”.
Justiça autorizou participação de Renan
A participação de Renan Santos não estava prevista na programação inicial da Globo. O candidato recorreu à Justiça para tentar garantir uma vaga no debate.
Durante o dia, pedidos relacionados à sua participação haviam sido rejeitados. O presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, negou inicialmente o pedido. Posteriormente, a ministra Cármen Lúcia também rejeitou uma solicitação relacionada ao encontro.
A situação mudou no início da noite, quando o ministro Gilmar Mendes determinou a inclusão de Renan entre os participantes. A decisão foi tomada poucas horas antes do horário previsto para a transmissão.
A sequência ocorreu em meio a outras mudanças no programa. Flávio comunicou sua desistência às 19h24 e, às 19h27, Gilmar Mendes determinou a inclusão de Renan.
Decisões judiciais alteraram formato do debate
Além da decisão sobre a participação de Renan, uma determinação do TSE havia modificado as regras inicialmente estabelecidas para o encontro.
A ministra Estela Aranha decidiu que a emissora não poderia manter no cenário um espaço vazio identificado com o nome de Lula, que havia informado que não participaria do debate. A decisão também impediu que os demais candidatos fizessem perguntas diretamente ao candidato ausente.
Segundo a Globo, as regras originais haviam sido previamente acordadas com as campanhas e estabeleciam como seria utilizado o espaço destinado a candidatos que não comparecessem.
Com as decisões judiciais envolvendo a ausência de Lula e a inclusão de Renan, a composição dos participantes e o formato do programa foram alterados pouco antes da transmissão.
A Globo informou que recebeu as determinações judiciais durante a preparação do debate e decidiu cancelar o encontro diante das mudanças nas regras e do cenário de insegurança jurídica.
O debate seria realizado três dias antes do primeiro turno das eleições, marcado para domingo (4), e acabou não acontecendo.
*Da Agência Fonte Exclusiva
