O relatório produzido pela Polícia Federal a partir das comunicações de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, reúne registros sobre possíveis vantagens financeiras e outros benefícios que teriam sido oferecidos pelo banqueiro ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e a pessoas próximas a ele.
O conteúdo veio a público em 1º de setembro de 2026, depois que o ministro André Mendonça determinou o levantamento do sigilo do procedimento.
Entre os elementos descritos pelos investigadores estão contratos firmados com o escritório de advocacia Barci de Moraes, administrado por Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro, além de conversas sobre aeronaves e uma viagem internacional para Londres.
Contrato previa pagamentos mensais de R$ 3 milhões
Segundo o relatório, um dos contratos analisados previa o pagamento de 36 parcelas mensais de R$ 3 milhões líquidos ao escritório de advocacia.
Com a incidência dos impostos, o valor bruto de cada pagamento chegaria a aproximadamente R$ 3,64 milhões.
Durante o período analisado, a PF identificou quatro transferências realizadas entre fevereiro de 2024 e outubro de 2025. Somadas, as operações chegaram a R$ 13,6 milhões.
Os investigadores também encontraram referências ao nome de Alexandre de Moraes nos metadados de duas versões da minuta contratual analisada. Uma delas seria a versão final encaminhada por Viviane Barci de Moraes a Daniel Vorcaro.
Vorcaro destacava importância dos pagamentos
As mensagens recuperadas pela PF também registram a atenção dada por Vorcaro aos pagamentos destinados ao escritório.
Em uma das conversas citadas no relatório, o ex-banqueiro classificou a remuneração como “o pagamento mais importante” e afirmou que não poderia haver atraso nos repasses.
Além do contrato, o material investigado menciona outras tratativas envolvendo possíveis benefícios. Entre elas estão discussões sobre a transferência de participações em uma aeronave e em um helicóptero, além do pagamento de despesas relacionadas a uma viagem para Londres.
Os registros fazem parte do conjunto de mensagens, documentos e informações extraídos do material apreendido durante a investigação envolvendo o Banco Master.
A divulgação do relatório ocorreu após André Mendonça retirar o sigilo do procedimento que tramita no Supremo. A existência dos contratos, pagamentos ou conversas citadas no documento, por si só, não comprova a prática de crimes ou irregularidades. As informações ainda precisam ser analisadas à luz do contexto completo da investigação e dos demais elementos reunidos pela Polícia Federal.
*Da Agência Fonte Exclusiva.
