A operação dos ônibus municipais de São Paulo entrou no centro de uma disputa judicial neste domingo (25), durante o segundo turno das eleições presidenciais de 2026.
A Federação Brasil da Esperança, formada por PT, PCdoB e PV, acionou a Justiça Eleitoral alegando que a quantidade de veículos em circulação estava abaixo do determinado para o dia da votação.
Na ação apresentada à 1ª Zona Eleitoral, os partidos solicitaram a prisão em flagrante do secretário municipal de Mobilidade Urbana, Celso Jorge Caldeira, e do presidente da SPTrans, Victor Hugo Borges.
A federação também pediu medidas para restabelecer a operação integral do transporte coletivo, argumentando que a redução dos ônibus poderia dificultar o deslocamento dos eleitores até as seções.
Até as informações inicialmente divulgadas, não havia confirmação de que a Justiça tivesse autorizado as prisões solicitadas.
Partidos apontam cerca de 4 mil ônibus fora das ruas
A denúncia utiliza informações publicadas pelo portal Metrópoles sobre a circulação dos coletivos na capital paulista.
Segundo os números apresentados na petição, a cidade possui uma frota de quase 14 mil ônibus, mas menos de 10 mil estariam operando durante o segundo turno.
A diferença representa aproximadamente 4 mil veículos que, conforme a alegação dos partidos, não teriam sido colocados em circulação.
A federação sustenta que a situação contraria uma determinação judicial para disponibilizar toda a frota, garantindo condições de deslocamento aos eleitores.
Os dados, entretanto, fazem parte da argumentação apresentada na ação e ainda dependem de avaliação das autoridades responsáveis.
Ação pede multa e votação até mais tarde
Além das prisões, a Federação Brasil da Esperança solicitou a recomposição imediata da frota municipal.
O documento também pede multa de R$ 1 milhão por hora de descumprimento e a apresentação dos registros de monitoramento dos ônibus desde o início da operação.
Os partidos querem informações detalhadas sobre a circulação dos veículos por região e por empresa concessionária.
Outra solicitação é a ampliação do horário de votação em São Paulo, sob a justificativa de que possíveis falhas no transporte poderiam impedir a chegada de eleitores às urnas.
O pedido não significa que a votação tenha sido prorrogada. Qualquer alteração depende de decisão da Justiça Eleitoral.
SPTrans afirma que teve pouco tempo para reorganizar operação
A Prefeitura de São Paulo informou que comunicou às empresas de ônibus a determinação judicial no sábado (24).
Segundo a SPTrans, a notificação sobre a necessidade de disponibilizar a frota integral chegou no início da tarde, deixando um intervalo reduzido para reorganizar as escalas dos motoristas.
As concessionárias teriam relatado dificuldades para ajustar jornadas de trabalho e colocar os veículos em circulação dentro do prazo.
A justificativa apresentada pela empresa não representa uma conclusão sobre o cumprimento da ordem judicial.
TRE informa que votação segue normalmente
Apesar da denúncia, o Tribunal Regional Eleitoral informou que não havia recebido, até aquele momento, relatos de problemas capazes de comprometer a votação na capital paulista.
Segundo o tribunal, os eleitores estavam conseguindo chegar às seções e o processo eleitoral transcorria normalmente.
A Justiça Eleitoral orientou que eventuais dificuldades fossem comunicadas ao Ministério Público Eleitoral para análise.
A ação apresentada pela federação ainda depende de avaliação judicial. O pedido de prisão não significa que exista uma ordem expedida contra as autoridades municipais, assim como a denúncia não comprova, por si só, a ocorrência de crime eleitoral.
*Da Agência Fonte Exclusiva
