Projeto que protege trabalhadores de empresas elétricas privatizadas avança para sanção

Texto determina aproveitamento de empregados em outras estatais, evitando demissões em massa como as ocorridas após a privatização da Eletrobras.

Senado aprova projeto que garante realocação de empregados de estatais privatizadas do setor elétrico

Congresso Nacional | Fachada do Congresso Nacional, a sede d… | Flickr

O Senado aprovou nesta terça-feira (2/7) o Projeto de Lei (PL) 1791/2019, que estabelece regras para o aproveitamento de empregados de empresas públicas do setor elétrico privatizadas no âmbito do Programa Nacional de Desestatização (PND). O texto, que agora segue para sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, foi apresentado durante o processo de privatização da Eletrobras, finalizado em 2022.

A proposta determina que funcionários de empresas responsáveis por geração, transmissão, distribuição e comercialização de energia – caso não permaneçam na empresa privatizada – sejam realocados em outras estatais ou sociedades de economia mista, em cargos com atribuições e salários equivalentes aos que desempenhavam anteriormente.

Impacto nas privatizações e no mercado de trabalho

O relator do projeto, senador Sérgio Petecão (PSD-AC), destacou que a iniciativa busca evitar demissões em massa, que têm “inegável impacto econômico” nas regiões onde essas empresas atuam. Ele citou casos como o da Enel em São Paulo, que reduziu seu quadro em 51,5% em cinco anos – um dos fatores associados a problemas no fornecimento de energia na capital.

Dados do próprio Congresso mostram que, desde 2021 – quando a MP da privatização da Eletrobras foi enviada – até o fim de 2023, 3.614 trabalhadores do grupo foram desligados. Segundo Petecão, a maioria dos demitidos tinha mais de 50 anos, grupo que enfrenta maior dificuldade de reinserção no mercado.

Prós e contras da medida

✅ Vantagens:

⚠️ Desafios:

O que muda para os trabalhadores?

  1. Quem pode ser realocado? Funcionários de empresas elétricas privatizadas que não forem mantidos nos novos quadros.
  2. Para onde serão direcionados? Outras estatais ou empresas de economia mista com funções similares.
  3. Salário e benefícios: Devem ser equivalentes, respeitando o piso da categoria.

O texto não impede demissões, mas cria um mecanismo de transição mais seguro, especialmente para quem tem menos chances de recolocação no mercado privado.

A aprovação ocorre em um momento de tensões sobre privatizações no governo Lula – que já sinalizou críticas a processos de desestatização acelerados. O PL pode influenciar futuras negociações, como possíveis revisões de concessões ou novas medidas no setor energético.

Se sancionado sem vetos, a lei entra em vigor imediatamente, beneficiando principalmente ex-funcionários da Eletrobras e servindo como modelo para eventuais privatizações futuras.

*Da Agência Fonte Exclusiva

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