Deputados e vereadores de São Paulo destinaram pelo menos R$ 7,7 milhões em emendas parlamentares a entidades associadas à produtora Go Up Entertainment, responsável pelo filme Dark Horse, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Os repasses constam em denúncias apresentadas pelos deputados federais Tabata Amaral e pastor Henrique Vieira, além de informações disponíveis em bases de transparência do governo e da Prefeitura de São Paulo.
Na sexta-feira (15), o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, determinou a abertura de uma apuração preliminar para verificar possíveis irregularidades na destinação dos recursos. A investigação envolve projetos ligados a entidades relacionadas a Karina Ferreira da Gama, sócia da produtora do filme.
Além da Go Up Entertainment, aparecem nas denúncias o Instituto Conhecer Brasil, a Academia Nacional de Cultura e a Conhecer Brasil Assessoria. A apuração busca reunir informações sobre emendas indicadas por parlamentares do PL, incluindo nomes como Alexandre Ramagem, Carla Zambelli, Marcos Pollon, Bia Kicis e Mario Frias.
Mario Frias, que atua como produtor executivo e roteirista de Dark Horse, teria destinado R$ 2 milhões ao Instituto Conhecer Brasil, segundo a denúncia apresentada por Tabata Amaral. Os valores teriam sido divididos entre projetos de letramento digital e atividades esportivas.
O caso também envolve emendas de parlamentares paulistas. Levantamento citado na apuração aponta que a deputada estadual Valéria Bolsonaro destinou R$ 100 mil ao Instituto Conhecer Brasil para aquisição de equipamentos. Outro deputado estadual, Lucas Bove, indicou R$ 213 mil à mesma entidade, mas o repasse não foi efetivado por questões técnicas.
Já o deputado Gil Diniz destinou R$ 200 mil à Academia Nacional de Cultura para custear parte de uma série documental. A mesma entidade também teria recebido uma emenda de R$ 1 milhão indicada por Carla Zambelli.
A denúncia ainda cita duas emendas do ex-vereador Atílio Francisco, que somam quase R$ 3,6 milhões e teriam sido destinadas a eventos culturais. Outros vereadores de São Paulo também tiveram emendas liberadas para a Conhecer Brasil, incluindo valores voltados a projetos de tecnologia e educação.
Parlamentares citados negam irregularidades. A assessoria de Mario Frias afirmou que não houve ilegalidade. A vereadora Cris Monteiro informou que a indicação seguiu critérios técnicos e que desconhecia qualquer ligação entre o Instituto Conhecer Brasil e a produtora mencionada. Lucas Bove declarou que recebeu um projeto que considerou interessante, mas redirecionou o recurso após questões documentais.
A decisão de Flávio Dino ocorre em meio a novas informações envolvendo a produção do filme Dark Horse. Segundo relatos preliminares, o senador Flávio Bolsonaro teria buscado apoio financeiro junto a Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, para viabilizar a obra cinematográfica.
A apuração ainda está em fase inicial e deverá reunir documentos, esclarecimentos e informações oficiais sobre os repasses antes de qualquer conclusão sobre eventual irregularidade.
*Da Agência Fonte Exclusiva
