Operação no Rio com 121 mortos mobiliza Congresso e fortalece PEC da Segurança

A megaoperação no Rio de Janeiro, que deixou 121 mortos, provocou forte reação política e acelerou o debate no Congresso sobre a PEC da Segurança e o Projeto Antifacção. Governo Lula tenta equilibrar ação policial e controle federal.

Governo Lula busca apoio para aprovar medidas contra o crime organizado após a operação mais letal da história recente do país

Governo Lula busca apoio para aprovar medidas contra o crime organizado após a operação mais letal da história recente do país. Imagem: Tomaz Silva / Agência Brasil

A megaoperação policial realizada nas comunidades da Penha e do Alemão, no Rio de Janeiro, deixou 121 mortos e desencadeou uma intensa mobilização política em Brasília. O episódio, considerado o mais letal da história recente do estado, fez com que a segurança pública voltasse ao centro da agenda nacional e impulsionou o avanço da chamada PEC da Segurança no Congresso.

O balanço oficial, divulgado pelo governo fluminense, aponta que entre as vítimas estão 117 civis e quatro policiais. Segundo informações das forças estaduais, 78 dos mortos tinham antecedentes criminais e 42 eram procurados pela Justiça. A ação, batizada de Operação Contenção, reuniu cerca de 2,5 mil agentes das polícias Civil e Militar e foi justificada como uma resposta à expansão de facções criminosas ligadas ao Comando Vermelho.

A repercussão política foi imediata. O governador Cláudio Castro (PL) defendeu a operação e criticou a falta de apoio federal em ações conjuntas. “O Rio está enfrentando o crime com coragem, mas o país precisa assumir sua responsabilidade nessa guerra”, declarou.

Em resposta, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que determinou o envio de 20 peritos da Polícia Federal ao Rio de Janeiro para auxiliar nas investigações e perícias. Lula defendeu uma estratégia nacional coordenada contra o crime organizado. “É preciso atacar a estrutura financeira das facções e não apenas os soldados do tráfico”, disse.

O impacto da operação chegou ao Congresso Nacional, onde parlamentares de diferentes partidos passaram a pressionar pela votação da PEC da Segurança Pública, que pretende ampliar os recursos e a integração entre as forças policiais. Também ganhou força o Projeto Antifacção, que cria um sistema de inteligência federal para rastrear atividades criminosas interestaduais.

Deputados da base governista e da oposição enxergam na tragédia um ponto de inflexão para endurecer as políticas de segurança. Enquanto a oposição cobra “mão firme” do governo, aliados de Lula defendem o equilíbrio entre repressão e políticas sociais.

Levantamento do instituto Quaest mostra que 64% dos moradores do Rio de Janeiro aprovam a megaoperação, enquanto 28% reprovam e 8% não souberam opinar. O índice de aprovação é mais alto entre eleitores do governador Cláudio Castro, mas divide opiniões na base do governo federal.

Com o Congresso mobilizado, o Palácio do Planalto intensifica as negociações para acelerar a tramitação da PEC da Segurança e apresentar um pacote de medidas de combate ao crime organizado antes do recesso legislativo.

A Operação Contenção marcou o início de uma nova fase no debate sobre segurança pública no Brasil — e promete repercutir nas eleições de 2026, onde o tema deve estar entre as principais pautas nacionais.

*Da Agência Fonte Exclusiva.

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