A ex-presidente do Chile Michelle Bachelet anunciou neste sábado (19) que retirou sua candidatura ao cargo de secretária-geral das Nações Unidas. A decisão foi comunicada em um vídeo publicado nas redes sociais, encerrando a tentativa de se tornar a primeira mulher a comandar a organização.
A candidatura de Bachelet havia sido inicialmente apresentada em conjunto por Chile, Brasil e México. Em março, porém, o governo chileno retirou formalmente o apoio. A ONU passou então a registrar a ex-presidente como candidata indicada por Brasil e México.
A saída ocorreu após a terceira consulta informal realizada pelo Conselho de Segurança. Segundo os resultados divulgados, Bachelet recebeu apenas um voto de “incentivo”, enquanto 11 integrantes indicaram “desencorajamento” e três marcaram “sem opinião”.
Brasil e México mantiveram apoio
Mesmo após a retirada do Chile, Bachelet continuou na disputa com o respaldo dos governos brasileiro e mexicano. A indicação conjunta havia sido formalizada em fevereiro, conforme documentos publicados pela própria ONU.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva também havia manifestado apoio ao nome da ex-presidente chilena. A candidatura era apresentada como uma possibilidade de ampliar a representação feminina e latino-americana no comando da organização.
Trajetória de Bachelet
Médica de formação, Michelle Bachelet foi presidente do Chile em dois períodos, de 2006 a 2010 e de 2014 a 2018.
Depois de deixar a Presidência, ampliou sua atuação internacional no sistema das Nações Unidas. Entre 2018 e 2022, comandou o Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos.
Antes disso, também esteve à frente da ONU Mulheres, organismo dedicado à promoção da igualdade de gênero e dos direitos das mulheres.
Processo de escolha continua
A retirada de Bachelet acontece durante o processo de escolha do sucessor de António Guterres, que ocupa a Secretaria-Geral desde 2017 e encerrará seu segundo mandato em 31 de dezembro de 2026. O novo secretário-geral terá mandato de cinco anos a partir de 1º de janeiro de 2027.
A escolha passa pelo Conselho de Segurança, que deverá recomendar um nome à Assembleia Geral. Os cinco membros permanentes — Estados Unidos, China, Rússia, França e Reino Unido — possuem poder de veto.
Após a retirada de Bachelet, a disputa segue com outros candidatos. Entre os nomes que tiveram destaque na consulta realizada em 18 de setembro estão Rebeca Grynspan, da Costa Rica, e Carolyn Rodrigues-Birkett, da Guiana. Grynspan recebeu nove votos de “incentivo”, enquanto Rodrigues-Birkett teve oito.
A Assembleia Geral da ONU realizará sua 81ª sessão em setembro, enquanto as negociações para definir o próximo secretário-geral continuam ao longo das próximas etapas do processo.
*Da Agência Fonte Exclusiva
