Marco Rubio responde Flávio Bolsonaro e mantém pressão dos EUA por tarifas contra o Brasil

Secretário de Estado americano cita diferenças substanciais em temas como Pix, propriedade intelectual, etanol e desmatamento; caso amplia tensão diplomática e comercial entre Brasília e Washington.

Marco Rubio enviou carta a Flávio Bolsonaro e reafirmou a posição dos EUA sobre possíveis tarifas ao Brasil. Documento cita comércio digital, pagamentos eletrônicos, propriedade intelectual, etanol e desmatamento.

(Tom Williams/CQ-Roll Call, Inc via Getty Images/Reprodução

A carta enviada pelo secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, ao senador Flávio Bolsonaro, do PL do Rio de Janeiro, expôs mais um capítulo da tensão política e comercial entre Washington e Brasília. No documento, Rubio reafirma a posição do governo Donald Trump em defesa da possibilidade de aplicação de tarifas contra produtos brasileiros, sob o argumento de que existem “diferenças substanciais” entre os dois países em áreas consideradas sensíveis pelos norte-americanos.

O texto responde a uma manifestação anterior de Flávio Bolsonaro, que tenta se posicionar contra a sobretaxa proposta pelos Estados Unidos. O senador brasileiro pediu para participar de uma audiência pública no processo conduzido pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos, o USTR, órgão responsável pela investigação comercial.

A proposta em análise prevê tarifa de 25% sobre parte dos produtos importados do Brasil. A medida ainda passa por consulta pública e integra uma investigação aberta sob a Seção 301 da legislação comercial americana, instrumento usado por Washington para reagir a práticas que considera desleais, discriminatórias ou prejudiciais ao comércio dos Estados Unidos.

Entre os pontos citados por Rubio estão comércio digital, serviços de pagamento eletrônico, tarifas preferenciais, combate à corrupção, proteção insuficiente à propriedade intelectual, acesso ao mercado brasileiro de etanol e desmatamento ilegal. Embora o secretário não tenha mencionado diretamente o Pix em todos os trechos, o sistema brasileiro de pagamentos instantâneos aparece no centro do debate por integrar a discussão sobre serviços de pagamento eletrônico e concorrência no setor financeiro.

Para o governo americano, determinadas políticas brasileiras poderiam favorecer empresas nacionais ou criar barreiras para companhias dos Estados Unidos. O Brasil, por outro lado, tem contestado a leitura de Washington e tratado o caso como uma disputa que mistura interesses comerciais, tecnologia financeira, soberania regulatória e ambiente político.

A resposta de Rubio também tem forte peso político. Ao escrever para Flávio Bolsonaro, pré-candidato ao Palácio do Planalto, o secretário de Estado sinaliza interlocução direta com um nome da oposição brasileira, ao mesmo tempo em que afirma que os Estados Unidos estão dispostos a trabalhar com os líderes escolhidos pelo povo brasileiro.

O episódio ocorre em um momento de relações frias entre os governos de Donald Trump e Luiz Inácio Lula da Silva. Autoridades brasileiras veem motivação política na ofensiva comercial americana, enquanto Washington sustenta que a investigação tem base técnica e envolve práticas que, segundo o USTR, prejudicariam empresas e exportadores dos Estados Unidos.

Na prática, a eventual aplicação das tarifas pode afetar setores exportadores brasileiros, embora a proposta americana preveja exceções para alguns produtos estratégicos. Itens como café, carne bovina, energia, petróleo, produtos farmacêuticos, partes de aeronaves e determinados metais foram apontados entre as possíveis exclusões.

Mesmo com exceções, o tarifaço tem potencial para ampliar o desgaste diplomático, elevar custos para empresas, afetar cadeias produtivas e alimentar o debate eleitoral brasileiro. O Pix, nesse contexto, deixa de ser apenas uma ferramenta financeira popular e passa a ocupar espaço na disputa entre soberania tecnológica, concorrência internacional e pressão comercial dos Estados Unidos.

A audiência pública marcada pelo USTR será uma etapa decisiva antes de uma eventual decisão final. Até lá, governo brasileiro, empresas, parlamentares e representantes do setor produtivo devem intensificar a pressão para tentar evitar ou reduzir o impacto das medidas.

*Da Agência  Fonte Exclusiva

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