O presidente Luiz Inácio Lula da Silva orientou a militância do PT a concentrar esforços, na reta final da eleição presidencial, na busca por eleitores que não participaram do primeiro turno e no diálogo com pessoas que escolheram outros candidatos.
As orientações foram divulgadas pelo partido nesta segunda-feira (5), após Lula terminar a primeira etapa da disputa atrás de Flávio Bolsonaro (PL). O segundo turno está marcado para 25 de outubro.
Entre os principais pontos apresentados pelo presidente estão a necessidade de evitar conflitos com eleitores, ampliar a mobilização para a próxima votação e dar mais espaço ao tema da segurança pública.
Lula pede diálogo com eleitores
Em uma das mensagens divulgadas pelo PT, Lula pediu que os apoiadores adotem uma postura mais cautelosa ao conversar com eleitores que não votaram no partido.
O presidente afirmou que a militância precisa entender as razões que levaram milhões de pessoas a não comparecer às urnas e tentar convencê-las a participar da segunda votação.
“Não briguem com o eleitor. Não falem mal porque o eleitor não votou na gente. Temos que ter humildade”, afirmou Lula.
O petista também destacou a ausência de aproximadamente 30 milhões de eleitores no primeiro turno e disse que esse grupo deve ser considerado pela campanha nos próximos dias.
A orientação é utilizar o período até 25 de outubro para ampliar o diálogo e evitar que as diferenças políticas se transformem em confrontos entre apoiadores.
Críticas a Flávio Bolsonaro e ao STF
Lula também voltou a direcionar críticas ao adversário que terminou o primeiro turno na liderança da disputa presidencial.
Ao comentar a candidatura de Flávio Bolsonaro, o presidente afirmou que o candidato do PL representa o sistema político que costuma criticar.
“Flávio Bolsonaro é a cara do sistema. A única candidatura antissistema é a nossa”, declarou.
Na mesma manifestação, Lula voltou a questionar a atuação do Supremo Tribunal Federal (STF). O presidente criticou o que classificou como “promiscuidade” envolvendo a Corte e defendeu uma discussão sobre os critérios utilizados para escolher os ministros.
Lula também afirmou que integrantes das instituições públicas devem estar submetidos à legislação e defendeu que o funcionamento do Judiciário faça parte do debate eleitoral.
Segurança pública entra na estratégia
A segurança pública também ganhou espaço nas orientações do presidente para a campanha.
Lula afirmou que estados enfrentam dificuldades para combater o crime organizado de forma isolada e defendeu uma atuação mais integrada entre União e governos estaduais.
Segundo o presidente, as organizações criminosas passaram a operar com estruturas complexas e exigem uma resposta coordenada das forças de segurança.
Ele também defendeu mudanças na legislação para ampliar a integração entre as polícias e criticou limitações que, em sua avaliação, dificultam determinadas ações da Polícia Federal.
Lula pediu ainda que os governadores apoiem a aprovação da PEC da Segurança Pública, proposta que prevê mudanças na organização e na integração das políticas de segurança no país.
“Isso tem que ser votado já!”, afirmou.
Segundo turno acontece em 25 de outubro
No primeiro turno, Flávio Bolsonaro terminou à frente, com 47,03% dos votos válidos. Lula ficou com 45,16%. Os dois avançaram para o segundo turno da eleição presidencial, marcado para 25 de outubro.
Com a nova votação se aproximando, a campanha petista deverá concentrar esforços na tentativa de ampliar sua base eleitoral. Além de buscar quem não compareceu às urnas, a estratégia inclui conversar com eleitores que apoiaram outras candidaturas e reforçar propostas para temas considerados prioritários, como segurança pública.
As orientações divulgadas pelo PT mostram uma campanha voltada, nesta etapa, para aumentar a participação eleitoral, ampliar o diálogo fora da própria base e estabelecer uma disputa política mais direta com Flávio Bolsonaro.
*Da Agência Fonte Exclusiva.
