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Home Política
Lula critica novas tarifas dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros, alerta para impactos econômicos e defende diálogo com o governo Donald Trump.

Imagem: Reprodução

Lula critica tarifas dos EUA e alerta para desgaste na relação comercial

Em artigo publicado no Washington Post, presidente classificou as medidas adotadas pelo governo Trump como um erro estratégico e defendeu a retomada do diálogo com respeito à soberania brasileira.

redacao Por redacao
26/07/2026 - 16:27
em Política
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O aumento das barreiras comerciais impostas pelos Estados Unidos pode levar empresas brasileiras a reorganizar fornecedores, reduzir negócios bilaterais e aprofundar o afastamento entre as duas maiores economias das Américas.

O alerta foi feito pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em artigo publicado neste domingo (26) pelo jornal Washington Post.

No texto, Lula classificou as novas tarifas aplicadas pelo governo de Donald Trump como injustas e estrategicamente prejudiciais. Para o presidente brasileiro, as medidas atingem exportadores nacionais, elevam os custos enfrentados por empresas norte-americanas e comprometem uma relação econômica construída ao longo de décadas.

O artigo foi publicado com o título “Lula a Trump: ninguém nos derrotará por meio de mentiras” e teve como linha central a avaliação de que as tarifas norte-americanas contra o Brasil representam um erro estratégico.

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Lula atribui primeira tarifa a motivação política

Ao recuperar o início do conflito comercial, Lula mencionou a tarifa de 50% anunciada por Trump em julho de 2025. Segundo o presidente brasileiro, a referência a Jair Bolsonaro na comunicação divulgada pelo governo norte-americano deixou evidente que a medida não estava fundamentada apenas em questões econômicas.

No artigo, Lula afirmou que Bolsonaro foi condenado por tentativa de golpe de Estado e se encontra em prisão domiciliar. O presidente também rejeitou qualquer tentativa de utilizar a relação entre Brasil e Estados Unidos para atender a interesses ideológicos ou eleitorais.

Mesmo diante das diferenças políticas, Lula declarou ter mantido conversas com Trump e defendido uma relação bilateral capaz de gerar benefícios para os dois países.

Segundo ele, os governos não precisam compartilhar a mesma visão de mundo para construir acordos comerciais, atrair investimentos e desenvolver projetos de interesse comum.

Novas cobranças chegam a 37,5%

A estrutura tarifária inicial sofreu alterações depois de negociações diplomáticas e de decisões da Suprema Corte dos Estados Unidos. Em julho de 2026, entretanto, Washington estabeleceu novas sobretaxas sobre parcelas das importações brasileiras.

As alíquotas adicionais variam de 12,5% a 37,5%, dependendo do produto e da combinação das medidas comerciais adotadas. Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, aproximadamente 23,1% das exportações brasileiras aos Estados Unidos estão sujeitas às novas sobretaxas.

Do total exportado, cerca de 16,5% está submetido simultaneamente às duas medidas e pode receber uma cobrança adicional acumulada de 37,5%. Máquinas, equipamentos, madeira, óleos, calçados, móveis e confecções aparecem entre os produtos alcançados.

Outros 52,7% dos embarques brasileiros não estão sujeitos às novas sobretaxas específicas ou às tarifas setoriais adicionais. Café, carnes, aeronaves, suco de laranja, frutas e parte dos produtos químicos estão entre as mercadorias preservadas dessas cobranças, embora continuem sujeitas às tarifas ordinárias norte-americanas.

Presidente afirma que negociações foram ignoradas

Lula declarou que a nova rodada tarifária foi implementada apesar das reuniões técnicas realizadas entre representantes dos dois países.

Segundo o presidente, o Brasil apresentou argumentos, documentos e informações comerciais ao governo norte-americano na tentativa de impedir o aumento das cobranças.

No artigo, ele afirmou ter entregado pessoalmente documentos a Trump, mas disse que as explicações brasileiras não foram consideradas na decisão final.

Lula citou ainda uma avaliação da organização independente Global Trade Alert, segundo a qual Brasil e Turquia estariam entre os países mais atingidos pela política tarifária dos Estados Unidos, atrás apenas da China.

Dados da instituição indicam que a tarifa média ponderada aplicada pelos Estados Unidos aos produtos brasileiros chegou a aproximadamente 17,7% após a entrada em vigor das novas medidas.

Superávit norte-americano é usado como argumento

O presidente contestou a justificativa econômica para as tarifas ao mencionar o histórico das relações comerciais entre os dois países.

De acordo com os dados citados no artigo, os Estados Unidos acumularam um superávit de US$ 428 bilhões no comércio de bens e serviços com o Brasil durante 15 anos consecutivos.

Para Lula, esse resultado demonstra que o Brasil não representa uma ameaça comercial à economia norte-americana.

O presidente argumentou que os Estados Unidos vendem mais bens e serviços ao mercado brasileiro do que compram e, por isso, não haveria fundamento econômico para um tratamento tarifário punitivo.

Consumidores norte-americanos podem enfrentar preços maiores

O artigo também destaca a dependência de setores industriais dos Estados Unidos em relação a matérias-primas, componentes e mercadorias fornecidos pelo Brasil.

Lula mencionou alimentos, calçados, tecidos, móveis e autopeças entre os produtos que podem chegar mais caros ao mercado norte-americano.

Na avaliação do presidente, parte dos custos provocados pelas tarifas será absorvida pelas empresas importadoras e outra parcela poderá ser repassada aos consumidores.

O impacto também poderá atingir cadeias produtivas integradas, nas quais companhias dos dois países dependem de fornecedores instalados no mercado parceiro.

Comércio bilateral perdeu força

As trocas comerciais entre Brasil e Estados Unidos apresentaram retração de 12,8% no primeiro semestre de 2026, na comparação com o mesmo período de 2025.

Somente as exportações brasileiras para o mercado norte-americano caíram cerca de 13% no período, passando a representar 9,4% de todos os embarques realizados pelo Brasil.

Enquanto o comércio com os Estados Unidos diminuiu, as trocas brasileiras com a União Europeia cresceram 6,1%. O fluxo comercial com a China avançou 15,9%.

Lula alertou que esse movimento pode se aprofundar caso as tarifas permaneçam. Empresas brasileiras que atualmente compram máquinas, peças e insumos norte-americanos poderão buscar alternativas em outros mercados.

Segundo o presidente, uma vez substituídos os fornecedores e reorganizadas as cadeias produtivas, a retomada dos antigos negócios poderá se tornar mais difícil.

Política dos EUA para a região é questionada

Lula ampliou a discussão comercial e criticou a estratégia adotada pelos Estados Unidos em relação à América Latina e ao Caribe.

Para o presidente, a região precisa de parceiros previsíveis, investimentos, transferência de tecnologia e relações comerciais equilibradas.

O artigo rejeitou políticas fundamentadas em pressão militar, punições econômicas ou na divisão do mundo em áreas controladas por grandes potências.

Lula também afirmou que o combate à fome, à pobreza, à desigualdade e ao crime organizado deveria ocupar o centro da cooperação regional.

Presidente recorda períodos de cooperação

Apesar das críticas, Lula citou episódios históricos nos quais os Estados Unidos adotaram uma postura de maior cooperação com a América Latina.

Um dos exemplos foi a Política de Boa Vizinhança implementada durante o governo de Franklin D. Roosevelt, que substituiu parte das ações militares norte-americanas por uma aproximação diplomática com os países da região.

Lula atribuiu a essa política uma contribuição para os primeiros anos da industrialização brasileira.

O presidente também recordou a decisão de George W. Bush de incluir países latino-americanos na primeira reunião de líderes do G20, convocada em meio à crise financeira internacional de 2008.

PIX e plataformas digitais entram no debate

Na parte final do artigo, Lula respondeu a argumentos utilizados pelo governo Trump para justificar medidas comerciais contra o Brasil.

Sobre as plataformas digitais, afirmou que a liberdade de expressão não pode ser utilizada para proteger atividades criminosas. O presidente defendeu que as empresas de tecnologia respeitem a legislação brasileira.

Lula também rejeitou a acusação de que o PIX prejudicaria companhias dos Estados Unidos. Segundo ele, o sistema de pagamentos não discrimina empresas estrangeiras e representa uma referência internacional de infraestrutura pública digital.

Na área ambiental, o presidente afirmou que o Brasil ampliou o combate aos crimes e reduziu o desmatamento nos diferentes biomas desde 2023.

Mesmo com o tom crítico, Lula encerrou o artigo afirmando que o governo brasileiro permanece disponível para manter negociações abertas e construtivas com Washington.

O presidente ressaltou, porém, que qualquer aproximação deverá se basear no respeito recíproco e na preservação da autonomia dos dois países.

Segundo Lula, as decisões sobre o futuro político, econômico e institucional do Brasil devem ser tomadas pelos brasileiros, sem interferência estrangeira ou subordinação a outros governos.

A mensagem combina a tentativa de preservar os canais diplomáticos com a advertência de que o Brasil poderá responder às medidas comerciais e ampliar suas relações com outros mercados caso não exista avanço nas negociações.

*Da Agência Fonte Exclusiva

Tags: #Brasil#ComércioExterior#Diplomacia#DonaldTrump#EconomiaBrasileira#EstadosUnidos#ExportaçõesBrasileiras#IndustriaBrasileira#Lula#PIX#PolíticaInternacional#relaçõesinternacionais#Tarifaço#Tarifas#WashingtonPost
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