A jornalista e advogada boliviana Nadia Beller levantou suspeitas sobre uma possível participação do estrategista político argentino Fernando Cerimedo na campanha eleitoral brasileira de 2026.
Em entrevista publicada na quarta-feira (14) pelo veículo Pan American Dispatch, ela relatou supostos contatos do consultor com um integrante da família Bolsonaro nos Estados Unidos.
Segundo Beller, Cerimedo teria enviado, no início de agosto, uma fotografia ao lado de um membro da família Bolsonaro e mencionado a intenção de buscar financiamento e participar da campanha.
A entrevistada, entretanto, não apresentou documentação independente que confirmasse a existência de acordos políticos, repasses financeiros ou participação efetiva do argentino na disputa eleitoral.
Suspeitas de influência sobre redes sociais
Durante a entrevista, Beller também afirmou que Cerimedo dizia manter contatos com funcionários da Meta, empresa responsável pelo Facebook, Instagram e WhatsApp.
De acordo com a jornalista, o consultor alegava ter influência sobre decisões envolvendo a remoção e a recuperação de páginas nessas plataformas.
Ela ainda levantou a hipótese de que integrantes da equipe do argentino teriam atuado para reduzir a visibilidade de conteúdos relacionados ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante a campanha.
No entanto, não foram apresentadas evidências independentes de interferência da Meta, manipulação do alcance das publicações ou participação de Cerimedo em uma operação dessa natureza.
Relato também menciona redes de contas falsas
Outro ponto abordado pela jornalista foi a suposta utilização de perfis falsos para ampliar artificialmente a circulação de mensagens políticas na América Latina.
Segundo Beller, estruturas digitais desse tipo continuariam operando em diferentes países, incluindo a possibilidade de atividades semelhantes na Argentina.
Ela afirmou acreditar que as redes já identificadas pelas autoridades representariam apenas parte de um sistema mais amplo de disseminação de conteúdos políticos.
As declarações, porém, não comprovam a existência de uma operação coordenada envolvendo Cerimedo, a família Bolsonaro e funcionários da Meta.
O caso reacende o debate sobre a atuação de consultores estrangeiros, a transparência das campanhas eleitorais e o uso de ferramentas digitais para influenciar a opinião pública.
Até o momento, as informações divulgadas permanecem como alegações da entrevistada. A confirmação das suspeitas depende de documentos, evidências técnicas e apuração independente.
*Da Agência Fonte Exclusiva.
