O Irã intensificou a pressão diplomática ao alertar, neste sábado (20), que o memorando de entendimento firmado com os Estados Unidos na quinta-feira (18) corre sério risco caso Washington não cumpra rapidamente os compromissos assumidos. A informação foi divulgada pela imprensa iraniana.
O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei, afirmou que a lógica do entendimento se baseia no princípio de “compromisso por compromisso”. Segundo ele, qualquer descumprimento por parte dos Estados Unidos será respondido com medidas equivalentes pelo governo iraniano.
Baghaei declarou que o pacto foi resultado de semanas de negociações intensas e de esforços diplomáticos com participação de mediadores internacionais. Para o porta-voz, o acordo demonstrou não apenas a disposição de Teerã em negociar, mas também a capacidade militar do país e sua coesão interna.
De acordo com Baghaei, o Irã não assinou um documento sem garantias executáveis e está determinado a implementar cada cláusula acordada. A declaração ocorre em meio ao aumento da tensão regional e a relatos de que setores da inteligência americana teriam alertado para o risco de ações de Israel comprometerem o entendimento com Teerã.
Como resposta ao que classificou como violações do cessar-fogo por Israel, o Irã anunciou o fechamento do Estreito de Ormuz ao tráfego marítimo neste sábado. O comando militar conjunto iraniano justificou a medida citando a continuidade de ataques israelenses no sul do Líbano, apesar de o memorando prever cessar-fogo em todas as frentes, incluindo o território libanês.
Paralelamente, autoridades iranianas enviaram uma delegação à Suíça para participar de novas negociações de paz com representantes dos Estados Unidos.
Estados Unidos e Irã assinaram o memorando de entendimento na quinta-feira (18), com previsão de cessar-fogo “em todas as frentes, incluindo o Líbano”. No entanto, segundo a versão iraniana, forças israelenses continuaram realizando ataques contra o país árabe, provocando mortos, feridos e novos deslocamentos.
O vice-presidente dos Estados Unidos, J.D. Vance, manifestou confiança na manutenção do cessar-fogo e afirmou que Washington dará uma oportunidade às negociações. Ao mesmo tempo, declarou não haver evidências de bloqueio efetivo do Estreito de Ormuz no momento de sua fala.
Israel, por sua vez, argumenta que suas ações militares no Líbano têm como objetivo criar uma zona de segurança e enfraquecer o Hezbollah, movimento xiita libanês apoiado pelo Irã. A ofensiva, no entanto, tem provocado destruição em áreas residenciais no sul do país e deslocamentos em massa.
O presidente Donald Trump criticou publicamente ações militares israelenses no Líbano durante os esforços diplomáticos de Washington para alcançar um entendimento inicial com Teerã.
“Não é preciso demolir um prédio residencial toda vez que se procura por alguém, porque muitas pessoas moram nesses prédios. E nem todas elas são do Hezbollah, disso eu posso garantir”, disse Trump na terça-feira (16).
Na quinta-feira (18), J.D. Vance também afirmou que Israel deveria priorizar o processo de paz no Oriente Médio e evitar ações consideradas “inaceitáveis”, como bombardeios contra civis em Beirute.
“Ninguém pode privar outro país do seu direito à autodefesa: Israel tem o direito de se defender”, declarou o vice-presidente americano. No entanto, Vance ressaltou que “os israelenses, como todos os outros, devem respeitar esse processo de paz, que é fundamentalmente benéfico para eles e para toda a região”.
O novo impasse amplia a fragilidade do entendimento entre Estados Unidos e Irã. Para Teerã, o cumprimento imediato das cláusulas do memorando será decisivo para a continuidade das negociações. Para Washington, a preservação da liberdade de navegação em Ormuz e a contenção de novas ações militares na região são pontos centrais para evitar uma escalada ainda maior.
*Da Agência Fonte Exclusiva
