O município de Presidente Kennedy, no sul do Espírito Santo, vive um impasse político-administrativo que pode redefinir seu futuro. Após a anulação das eleições de 2024 pela Justiça Eleitoral, por conta da reeleição irregular do ex-prefeito Dorlei Fontão (PSB), a cidade aguarda a definição do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) sobre a data do novo pleito.
Enquanto isso, a instabilidade abre espaço para o possível retorno do ex-prefeito Reginaldo Quinta (PSD), visto como uma alternativa “segura” por parte do eleitorado.
Anulação do mandato e efeito dominó
Dorlei Fontão, eleito para um terceiro mandato consecutivo — prática vedada pela legislação eleitoral — teve sua vitória invalidada. O caso não é isolado: 40 municípios brasileiros aguardam decisão do TSE para marcar eleições suplementares, incluindo Itaguaí e Santa Maria Madalena, no Rio de Janeiro.
A demora na resolução, segundo o economista e analista político Wilson Souza, alimenta um cenário de insegurança que impacta serviços básicos e a confiança da população.
“Eleitor quer experiência, não apostas”
Souza destaca que a instabilidade jurídica tende a beneficiar candidatos com histórico na gestão pública. “Setores como saúde e educação sofrem diretamente com a falta de um comando definitivo. O eleitor, sentindo os efeitos, busca refúgio em nomes que já conhece”, explica.
Em Presidente Kennedy, esse fenômeno pode levar à volta de Reginaldo Quinta, que governou a cidade anteriormente e hoje articula uma frente de oposição ao grupo de Dorlei.
Divisões no PSB e a sombra de Dorlei
Enquanto a oposição se organiza, o grupo de Dorlei enfrenta rachas internos. O atual prefeito interino, Júnior de Gromobol (PSB), presidente da Câmara, é visto como figura frágil: embora ocupe o cargo, não controla a máquina pública, ainda dominada por Dorlei.
O ex-prefeito, hoje afastado formalmente, segue como “prefeito de fato”, segundo analistas, e deve definir pessoalmente o candidato oficial do PSB. Entre os cinco nomes cotados, nenhum parece consolidar apoio popular.
O jogo político além do Espírito Santo
O caso de Presidente Kennedy reflete um problema nacional. Municípios em situação similar enfrentam atrasos em obras, pagamento de fornecedores e desgaste da imagem da política tradicional. Para Wilson Souza, a demora do TSE em resolver esses casos “alimenta um ciclo de desconfiança que pode se estender por anos”.
Enquanto a Justiça Eleitoral não marca as eleições, a população de cidades como Presidente Kennedy vive sob um governo interino que, nas palavras de moradores, “não decide nada sem consultar quem já deveria ter saído de cena”. O pleito suplementar, quando ocorrer, será não apenas uma escolha de futuro, mas um teste sobre quanto o eleitor está disposto a perdoar o passado.
