O senador Flávio Bolsonaro encaminhou nesta quinta-feira (2) um pedido ao Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos para que a entrada em vigor das tarifas adicionais de 25% sobre parte das exportações brasileiras seja adiada por 180 dias.
Segundo o parlamentar, a medida anunciada pelo governo do presidente Donald Trump deveria passar a valer somente após as eleições presidenciais brasileiras.
Em um documento de 86 páginas enviado às autoridades norte-americanas, Flávio Bolsonaro argumenta que a aplicação imediata das tarifas não produziria os resultados esperados por Washington.
Na avaliação do senador, a medida poderia fortalecer politicamente o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que disputa a reeleição, ao permitir que o governo apresente as restrições comerciais como uma afronta à soberania nacional.
No texto encaminhado ao USTR, o parlamentar afirma que o chamado “tarifaço” poderia favorecer a estratégia política do Palácio do Planalto. Segundo ele, a imposição das sobretaxas recompensaria uma postura de resistência nas negociações, permitindo que o governo brasileiro utilizasse posteriormente as medidas como argumento no debate político interno.
Flávio Bolsonaro também sustenta que experiências anteriores demonstrariam que a utilização de tarifas comerciais como instrumento de pressão não alterou a atuação das autoridades brasileiras.
De acordo com o senador, levantamentos de opinião indicariam que, em momentos de maior repercussão das ameaças de sobretaxas, o governo federal registrou fortalecimento no cenário eleitoral.
Além dos possíveis impactos políticos, o parlamentar afirma que a adoção das novas tarifas poderá gerar consequências econômicas para os próprios Estados Unidos. Segundo ele, a medida tende a elevar os custos para empresas e consumidores norte-americanos, além de afetar segmentos brasileiros favoráveis ao fortalecimento das relações comerciais entre os dois países.
Argumento semelhante foi apresentado pelo governo brasileiro em manifestação enviada ao USTR na quarta-feira (1º). Em documento assinado pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, o Ministério das Relações Exteriores afirmou que a aplicação das tarifas também poderá provocar efeitos negativos sobre a economia dos Estados Unidos, com aumento de custos para empresas e consumidores norte-americanos.
O pedido apresentado por Flávio Bolsonaro e a manifestação do governo brasileiro passam agora a integrar o conjunto de posicionamentos encaminhados às autoridades dos Estados Unidos no âmbito das discussões sobre a política tarifária envolvendo produtos brasileiros.
*Da Agência Fonte Exclusiva
