Fachin aciona PF após Flávio Dino receber ameaças de morte nas redes sociais

Relatório de segurança do STF reúne milhares de mensagens violentas contra ministros da Corte.

Após ameaças de morte nas redes sociais, Flávio Dino reafirma independência judicial. Fachin solicita providências à Polícia Federal.

Alejandro Zambrana/STF

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, solicitou nesta sexta-feira (9) à Polícia Federal a abertura de uma investigação sobre ameaças de morte dirigidas ao ministro Flávio Dino. A medida foi tomada depois que Dino tornou públicas mensagens recebidas pelas redes sociais, algumas delas também direcionadas a outros integrantes da Corte.

A gravidade do conteúdo levou a presidência do Supremo a acionar a PF para apurar a origem das ameaças e identificar os responsáveis.

Em manifestação oficial, o STF informou que acompanha a situação e mantém contato com os órgãos responsáveis pela segurança institucional. O tribunal afirmou estar atento à proteção de seus ministros e que continuará adotando as providências necessárias para garantir a integridade dos integrantes da Corte.

Flávio Dino afirma que não vai ceder às ameaças

Ao divulgar o episódio, Flávio Dino deixou claro que não pretende mudar sua atuação como magistrado por causa das intimidações.

“Se um juiz passar a ter medo de decidir um processo, à vista do suposto risco de sofrer perseguições pessoais, não existe mais Poder Judiciário. Nem Constituição”, afirmou o ministro em publicação nas redes sociais.

A declaração chama atenção para as consequências que ameaças dessa natureza podem ter sobre a independência do Judiciário. Para Dino, permitir que magistrados sejam intimidados pelo risco de represálias pessoais comprometeria o próprio funcionamento da Justiça.

Polícia Federal deverá apurar autoria das mensagens

Com o pedido encaminhado por Fachin, caberá à Polícia Federal investigar as circunstâncias das ameaças, identificar seus autores e verificar se houve participação de outras pessoas.

O caso também envolve mensagens dirigidas a outros ministros do Supremo, o que amplia a preocupação com a segurança dos integrantes do tribunal.

Até o momento das informações divulgadas, não havia confirmação pública sobre a identidade dos responsáveis nem sobre eventuais prisões relacionadas ao episódio.

A investigação deverá esclarecer a origem das intimidações e permitir a adoção das medidas legais cabíveis.

O episódio reacende o debate sobre os limites da manifestação política e a responsabilização por ameaças contra autoridades. Críticas a decisões judiciais fazem parte do debate democrático, mas ameaças de morte podem configurar crime e devem ser apuradas pelas autoridades.

*Da Agência Fonte Exclusiva.

Sair da versão mobile