A Polícia Federal identificou R$ 217 mil em pagamentos feitos ao longo de 2024 pela empresária Roberta Luchsinger a Marco Aurélio Ribeiro, conhecido como Marcola, ex-chefe de gabinete do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O levantamento inclui transferências bancárias, quitação de boletos e presentes, segundo informações reveladas neste domingo (16) pela coluna de Lauro Jardim, de O Globo.
Entre os gastos rastreados estão duas joias compradas para familiares de Marcola no Dia das Mães daquele ano. De acordo com a apuração, o ex-assessor enviou à empresária, pelo WhatsApp, imagens dos modelos que pretendia adquirir, e ela pagou uma fatura de R$ 9,2 mil.
Roberta é investigada pela Polícia Federal por suspeita de ligação com Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, apontado pela investigação como um dos personagens centrais do esquema de descontos irregulares em benefícios previdenciários. Ela nega irregularidades.
Marcola, por sua vez, afirma que o dinheiro recebido da empresária não teve relação com sua atuação no governo. Quando os primeiros repasses vieram a público, no início de agosto, ele declarou que havia contraído um “empréstimo pessoal” e que o valor já havia sido devolvido.
Segundo os investigadores, a restituição ocorreu depois da apreensão do celular de Roberta pela PF. O ex-assessor devolveu R$ 249 mil, montante superior aos R$ 217 mil identificados ao longo de 2024. A diferença, de acordo com a explicação apresentada, corresponderia a juros e correção monetária.
A sequência de pagamentos ganhou relevância na investigação justamente pela variedade das despesas. Além de transferências diretas, a empresária teria quitado contas pessoais e despesas escolhidas pelo próprio ex-assessor, como as joias. Até o momento, porém, não foi demonstrada publicamente uma contrapartida de Marcola em razão desses valores.
O ex-chefe de gabinete deixou o Palácio do Planalto em julho para atuar na campanha de reeleição de Lula. Depois que sua relação financeira com Roberta Luchsinger veio a público, também deixou a equipe eleitoral no início de agosto.
Na ocasião, Marcola rejeitou qualquer suspeita de irregularidade e afirmou que nunca manteve relação que pudesse caracterizar atuação ilegal durante o período em que trabalhou para o presidente.
A investigação sobre Roberta também ganhou atenção por suas relações com pessoas próximas ao governo. Ela já afirmou ter aproximado Antônio Carlos Camilo Antunes de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente. Esses vínculos estão entre os pontos examinados pela Polícia Federal em investigações relacionadas ao esquema do INSS.
A descoberta das joias acrescenta um novo elemento à apuração sobre os repasses, mas não altera, por enquanto, a situação jurídica dos envolvidos. A PF continua investigando a origem, a finalidade e as circunstâncias das movimentações financeiras.
*Da Agência Fonte Exclusiva
