A procura pela internet por medicamentos da classe dos agonistas de GLP-1 disparou no Brasil no primeiro semestre de 2026. Entre janeiro e junho, foram registrados 1.364.354 pedidos, alta de 149,3% em comparação com os 547.249 contabilizados no mesmo período do ano passado.
Os números fazem parte de um levantamento divulgado pela Serasa Experian e mostram que o volume de solicitações ficou cerca de duas vezes e meia maior em apenas um ano. Em valores, as compras somaram R$ 2,348 bilhões durante os seis primeiros meses de 2026.
Embora esses medicamentos sejam popularmente chamados de “canetas emagrecedoras”, os dados não abrangem exclusivamente produtos injetáveis. Segundo a Serasa Experian, o levantamento considera tanto as canetas quanto outras apresentações farmacêuticas de princípios ativos associados ao GLP-1.
A classe ganhou popularidade nos últimos anos por reunir medicamentos usados no tratamento do diabetes tipo 2 e da obesidade. Alguns atuam imitando hormônios envolvidos no controle da glicose, na redução do apetite e no aumento da sensação de saciedade, mas as indicações variam conforme o princípio ativo e o produto autorizado.
O crescimento das compras foi mais expressivo entre as mulheres. Elas responderam por 602,8 mil pedidos no primeiro semestre, que movimentaram mais de R$ 1 bilhão. O número de solicitações femininas foi 75,2% superior ao registrado entre os homens, segundo os dados da Serasa Experian.
Outra parcela, classificada no levantamento como “outros”, reuniu 417.563 pedidos. A pesquisa não detalha individualmente, no material divulgado, todas as situações incluídas nessa categoria.
A expansão do mercado ocorre ao mesmo tempo em que as autoridades sanitárias aumentam o controle sobre esses medicamentos. Desde junho de 2025, agonistas de GLP-1 como Ozempic, Mounjaro e Wegovy só podem ser vendidos em farmácias e drogarias mediante apresentação de receita em duas vias, com retenção de uma delas pelo estabelecimento.
A Anvisa reforça que esses produtos devem ser utilizados dentro das indicações aprovadas e com acompanhamento de profissional habilitado. Em 2026, a agência também ampliou ações de fiscalização diante do crescimento da oferta de produtos manipulados, importados ou comercializados de forma irregular.
A compra pela internet, portanto, não elimina as exigências de prescrição e dispensação. O consumidor também deve verificar se o medicamento possui registro no Brasil e se a venda é realizada por uma farmácia ou drogaria regularizada, já que a Anvisa alerta para a circulação de produtos falsificados ou de origem desconhecida em canais informais.
O avanço de 149,3% registrado pela Serasa Experian mostra como a demanda por essa classe de medicamentos cresceu rapidamente no comércio eletrônico. Ao mesmo tempo, o aumento do consumo reforça a preocupação das autoridades com prescrição adequada, procedência dos produtos e acompanhamento dos pacientes.
*Da Agência Fonte Exclusiva
