A possível indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, para a vaga deixada pelo ministro Luís Roberto Barroso no Supremo Tribunal Federal (STF), provocou divisão entre senadores da bancada evangélica. O nome do AGU, que é presbiteriano e aliado próximo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), vem sendo tratado nos bastidores como um gesto político do governo em busca de reaproximação com o eleitorado religioso.
Na última quinta-feira (16), Lula recebeu no Palácio do Planalto os bispos Manoel Ferreira e Samuel Ferreira, da Assembleia de Deus, além do deputado Cezinha de Madureira (PSD-SP) e da ministra Gleisi Hoffmann, para discutir a relação do governo com lideranças evangélicas.
O encontro faz parte de uma série de tentativas de diálogo iniciadas nos últimos meses, que também envolvem ações da primeira-dama Janja Lula da Silva com grupos de mulheres de igrejas cristãs.
Apesar do tom conciliador, a Frente Parlamentar Evangélica (FPE) do Senado não recebeu a notícia de forma unânime. Composta por 18 senadores, a frente é presidida por Carlos Viana (Podemos-MG) e tem Damares Alves (Republicanos-DF) como vice. Parte dos integrantes considera que a escolha de Messias representa mais um movimento ideológico do PT do que um aceno à fé evangélica.
“Ele atende ao partido, não ao público evangélico”, avaliou um dos parlamentares ouvidos.
Já para a senadora Eliziane Gama (PSD-MA), integrante da base governista, a indicação não deve ser tratada sob o prisma político.
“A frente não pode ser norteada por ideologia, mas pelo evangelho. Messias tem uma trajetória sincera de fé e diálogo com a igreja”, afirmou.
Trâmite e votação
Pela Constituição, o STF é composto por 11 ministros com idade entre 30 e 70 anos, de notável saber jurídico e reputação ilibada. Após a escolha presidencial, o nome é encaminhado à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, presidida por Otto Alencar (PSD-BA), que conduz a sabatina.
Caso seja aprovado na comissão, o indicado precisa receber o apoio de pelo menos 41 dos 81 senadores em votação no plenário.
Com a confirmação, o presidente oficializa a nomeação — e o ministro passa a ocupar o cargo até a aposentadoria compulsória, aos 75 anos.
A confirmação de Messias, se concretizada, representará a terceira indicação de Lula ao STF neste mandato e, ao mesmo tempo, um teste político com a bancada evangélica, cuja influência segue determinante nas votações da Casa Alta.
*Da Agência Fonte Exclusiva.
