A Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) exonerou mais de 200 servidores em uma edição extraordinária do Diário Oficial publicada nesta terça-feira (6). A medida, assinada pelo presidente em exercício da Casa, Guilherme Delarolli (PL), ocorre em meio a suspeitas de que parte dos funcionários não cumpria expediente regularmente.
Ao todo, 206 pessoas foram dispensadas. Entre os nomes exonerados estão servidores indicados por políticos que tiveram forte influência na Alerj ao longo das últimas décadas. A estrutura administrativa da Casa é historicamente marcada pela permanência de aliados em cargos estratégicos, mesmo após o encerramento de mandatos.
Levantamento apontou que, do total de exonerados, ao menos 47 eram indicações do ex-presidente da Assembleia Paulo Melo, que comandou a Casa entre 2011 e 2015, e 17 estavam ligados ao ex-governador Sérgio Cabral, presidente da Alerj de 1995 a 2003.
Entre os nomes que deixaram seus cargos está Susana Neves Cabral, ex-mulher de Sérgio Cabral, que ocupava uma função na Assembleia desde 2016. Também foi exonerado Marco Antonio Cabral, filho de Susana e do ex-governador, nomeado desde 2023 para atuar no setor de arquivo da Casa.
Outro dispensado foi Dilson Avelino da Silva, conhecido como Magrinho, que já havia trabalhado com Marco Antonio Cabral em Brasília, quando ele exercia mandato de deputado federal. Magrinho ocupava um cargo na assessoria da presidência da Alerj.
A publicação extraordinária do Diário Oficial ganhou, nos corredores da Assembleia, o apelido de “caça-fantasmas”. A nova gestão desconfia que parte dos servidores exonerados não exercia, de fato, suas funções, o que teria motivado a ação mesmo durante o período de recesso parlamentar.
Aliados de Paulo Melo também aparecem entre os exonerados. O treinador de artes marciais Pedro Lukas, que já participou de vídeos ao lado do ex-presidente da Casa, estava lotado na presidência da Alerj. Marcelo Ferreira Neves, outro nome ligado a Melo, também perdeu o cargo. Ele havia atuado como segurança do então presidente em 2014, quando criminosos tentaram invadir a fazenda do parlamentar e acabou sendo baleado. Após o episódio, foi nomeado para um cargo que se manteve por diferentes gestões, até a exoneração desta terça-feira.
Posicionamento dos citados
Em nota, Paulo Melo afirmou que a exoneração de servidores é um direito legítimo de quem exerce o comando administrativo da Casa. Segundo ele, Marcelo Neves e Pedro Lukas atuavam atualmente junto à deputada Franciane Mota, sua esposa, e prestaram serviços relevantes. Sobre os demais exonerados indicados por ele, Paulo Melo disse que se tratavam de colaboradores que deram continuidade ao trabalho anteriormente desenvolvido.
Já o ex-governador Sérgio Cabral declarou que deixou a presidência da Alerj em janeiro de 2003, quando assumiu o mandato de senador da República. Segundo ele, desde então não exerce qualquer influência sobre decisões administrativas da Assembleia Legislativa.
*Da Agência Fonte Exclusiva
