A Polícia Federal deflagrou nesta sexta-feira (14) a segunda fase da Operação Sem Refino, que investiga suspeitas envolvendo a Refit, antiga Refinaria de Manguinhos, e possíveis relações entre empresários e agentes públicos do Rio de Janeiro. O ex-governador Cláudio Castro (PL) está entre os nomes alcançados pela nova etapa da investigação.
Ao todo, são cumpridos 16 mandados de busca e apreensão no estado, autorizados pelo Supremo Tribunal Federal. Nesta fase, os investigadores apuram principalmente possíveis irregularidades na concessão de licenças ambientais para a refinaria e operações suspeitas de lavagem de dinheiro.
Segundo a Polícia Federal, há indícios de que autorizações ambientais possam ter sido concedidas em desacordo com avaliações de áreas técnicas responsáveis pelos processos. A investigação também busca esclarecer movimentações financeiras e patrimoniais que teriam sido usadas para ocultar bens e recursos.
Um dos endereços alvo das buscas fica em Petrópolis e teria sido utilizado em negociações investigadas pela PF. A defesa de Cláudio Castro afirma, porém, que o imóvel era alugado pelo ex-governador e que o contrato foi encerrado há meses, depois que ele deixou o Palácio Guanabara, em março.
Os advogados também disseram que nenhuma busca foi realizada na residência atual de Castro ou em outro endereço hoje vinculado a ele. A defesa nega qualquer participação do ex-governador em irregularidades relacionadas à Refit e afirma aguardar acesso integral aos autos para analisar os fundamentos da operação.
Além de Castro, estão entre os alvos o ex-secretário estadual de Ambiente e Sustentabilidade Bernardo Rossi; José Mauro de Farias Junior, que ocupou a Secretaria de Transformação Digital e também foi subsecretário de Ambiente; o advogado Antonio Carlos Santos; e os empresários Luiz Fernando Gomes, Maurício Leite e Ana Carolina Miranda.
A Operação Sem Refino investiga a atuação de um grupo econômico do setor de combustíveis suspeito de utilizar empresas e operações financeiras para ocultação patrimonial, movimentação de recursos e possíveis crimes financeiros.
Esta não é a primeira vez que Cláudio Castro aparece na investigação. Na fase inicial da operação, realizada em maio, a Polícia Federal apreendeu equipamentos eletrônicos utilizados pelo ex-governador.
A apuração também envolve pessoas ligadas à Refit e busca identificar eventuais conexões entre decisões administrativas do governo estadual e interesses do grupo empresarial.
Em nota, a defesa de Castro afirmou que as medidas adotadas durante sua gestão seguiram critérios técnicos, jurídicos e administrativos. Também destacou que o Estado realizou cobranças contra a refinaria e recebeu valores referentes a débitos da empresa durante o período.
As investigações continuam em andamento. Até o momento, não há condenação de Cláudio Castro pelos fatos apurados na Operação Sem Refino.
*Da Agência Fonte Exclusiva
