Eleições redesenham Congresso e PL amplia força na Câmara e no Senado

Nikolas Ferreira e Lucas Pavanato ultrapassam 3 milhões de votos e estabelecem marcas históricas para deputado federal.

Eleições 2026 renovam 35,67% da Câmara dos Deputados. Mulheres ampliam bancada e batem recorde, enquanto representação negra e indígena diminui.

Lula Marques/Agência Brasi

As eleições deste domingo (4) definiram uma nova configuração para o Congresso Nacional. Os brasileiros escolheram os 513 deputados federais que ocuparão a Câmara pelos próximos quatro anos e renovaram 54 das 81 cadeiras do Senado, correspondentes a dois terços da Casa.

O Partido Liberal (PL) saiu das urnas com as maiores bancadas nas duas Casas. Na Câmara dos Deputados, a legenda elegeu 121 parlamentares, 24 a mais do que havia conquistado na eleição de 2022, segundo levantamento divulgado pela Agência Câmara.

No Senado, o partido conquistou 19 das 54 vagas em disputa. Somados aos senadores que permanecem no exercício do mandato, a projeção é de uma bancada de 28 integrantes a partir de fevereiro de 2027.

Câmara terá 183 deputados de primeiro mandato

Dos 513 deputados federais eleitos, 183 nunca exerceram mandato na Câmara e chegarão à Casa pela primeira vez. O número corresponde a 35,67% da composição.

Outros 301 parlamentares foram reeleitos. Há ainda deputados que retornam à Câmara depois de terem exercido mandato em legislaturas anteriores, razão pela qual a quantidade de parlamentares de primeiro mandato não representa, isoladamente, todos os movimentos de entrada e saída da Casa.

Os novos deputados tomarão posse em 1º de fevereiro de 2027 e terão mandato até janeiro de 2031.

PL chega a 121 deputados

O crescimento do PL foi um dos principais movimentos da eleição para a Câmara. A legenda alcançou 121 das 513 cadeiras e terá a maior bancada individual da Casa.

A Federação Brasil da Esperança, formada por PT, PCdoB e PV, aparece entre os maiores grupos parlamentares. A configuração exata pode ser apresentada por partido ou por federação, o que explica diferenças entre alguns levantamentos divulgados após a apuração.

O tamanho das bancadas é relevante para o funcionamento da Câmara. A representação partidária interfere na distribuição de espaços nas comissões, nas lideranças e nas negociações para a formação da Mesa Diretora.

Apesar de ter a maior bancada, o PL não terá sozinho a maioria absoluta da Câmara. São necessários 257 votos para alcançar mais da metade das 513 cadeiras.

Nikolas Ferreira ultrapassa 3,1 milhões de votos

A eleição para deputado federal também produziu um novo recorde de votação.

Nikolas Ferreira (PL-MG) ultrapassou a marca de 3,1 milhões de votos e tornou-se o candidato a deputado federal mais votado da história do país. Com 99,97% da apuração, a Agência Câmara registrava 3.119.051 votos para o parlamentar mineiro.

O recorde anterior pertencia a Eduardo Bolsonaro, que recebeu 1.843.735 votos em São Paulo nas eleições de 2018.

Nikolas já havia liderado a votação nacional para deputado federal em 2022, quando conquistou cerca de 1,47 milhão de votos.

Pavanato também supera 3 milhões

São Paulo produziu outro resultado histórico. O vereador e youtuber Lucas Pavanato (PL) foi eleito deputado federal com 3.038.438 votos.

Com isso, Nikolas e Pavanato tornaram-se os primeiros candidatos à Câmara dos Deputados a ultrapassar a marca de 3 milhões de votos em uma única eleição.

Érika Hilton (PSOL-SP) também estabeleceu um recorde. Reeleita com 1.596.472 votos, tornou-se a mulher com a maior votação da história para a Câmara dos Deputados.

Senado renovou 54 das 81 cadeiras

A mudança também foi expressiva no Senado. Diferentemente da Câmara, que renova todas as suas 513 cadeiras a cada quatro anos, o Senado alterna eleições para um terço e dois terços de sua composição.

Em 2026, estavam em disputa 54 vagas. Cada estado e o Distrito Federal escolheram dois senadores, que terão mandato de oito anos, de 2027 a 2035.

Os outros 27 mandatos, definidos nas eleições de 2022, seguem até 2031.

Entre as 54 vagas disputadas neste domingo, o PL conquistou 19. MDB e PT aparecem na sequência entre os partidos que mais elegeram senadores, com sete e seis, respectivamente.

PL pode começar 2027 com 28 senadores

Considerando os eleitos em 2026 e os mandatos que continuam, a projeção inicial coloca o PL com 28 integrantes no Senado.

O PT aparece com nove e o MDB com oito. Outras bancadas relevantes incluem PP, União Brasil e Republicanos, embora a composição final possa sofrer ajustes decorrentes de suplências, resultados das eleições para governos estaduais, decisões judiciais e eventuais mudanças partidárias.

O número de 28 senadores do PL é especialmente significativo porque representa pouco mais de um terço das 81 cadeiras, mas também não constitui maioria absoluta. Para atingir 41 votos, qualquer bancada precisa construir acordos com outras legendas.

Nova composição começa a valer em fevereiro

Os deputados federais e senadores eleitos tomarão posse em 1º de fevereiro de 2027.

A partir daí, a distribuição das bancadas terá peso nas primeiras decisões da nova legislatura, incluindo as eleições para as presidências da Câmara e do Senado, a composição das Mesas Diretoras e a divisão de vagas nas comissões permanentes.

Também será essa configuração partidária que servirá de ponto de partida para as negociações em torno de projetos de lei, propostas de emenda à Constituição e demais matérias submetidas ao Congresso.

O resultado das urnas, portanto, não define sozinho como serão as votações a partir de 2027. Embora o PL tenha conquistado as maiores bancadas das duas Casas, nenhuma legenda terá maioria absoluta isoladamente, mantendo a formação de alianças e blocos parlamentares como elemento central do funcionamento do Congresso.

*Da Agência Fonte Exclusiva.

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