A Associação de Futebol da Argentina, a AFA, passou a responder a um processo disciplinar aberto pela FIFA após jogadores da seleção exibirem uma bandeira com a frase “As Malvinas são argentinas” durante as comemorações pela classificação à final da Copa do Mundo de 2026.
A manifestação ocorreu depois da vitória argentina por 2 a 1 sobre a Inglaterra, em partida disputada no dia 15 de julho, em Atlanta. Após o confronto, uma bandeira lançada por torcedores chegou ao gramado e foi levantada por integrantes da equipe. A Argentina avançou à decisão do Mundial, mas terminou com o vice-campeonato após perder por 1 a 0 para a Espanha na prorrogação.
A Comissão Disciplinar da FIFA deverá avaliar se o episódio representou a utilização de uma competição esportiva para uma manifestação de caráter político ou não esportivo, conduta que pode contrariar o Código Disciplinar da entidade.
A abertura do procedimento não significa que a AFA ou os jogadores envolvidos já tenham sido considerados culpados. A federação argentina poderá apresentar sua defesa e explicar as circunstâncias em que a bandeira chegou ao campo e foi exibida durante a comemoração.
Investigação analisa responsabilidade da AFA
Uma das questões que deverão ser examinadas é se a manifestação ocorreu de maneira espontânea ou se houve conhecimento prévio, incentivo ou participação de integrantes da delegação argentina.
A FIFA também poderá avaliar se a AFA adotou medidas suficientes para impedir que mensagens políticas fossem exibidas durante uma partida ou atividade oficial da Copa do Mundo.
As regras da entidade restringem o uso de jogos e competições para manifestações de natureza política, ideológica, religiosa ou discriminatória. Eventuais punições podem variar conforme a gravidade da ocorrência e o grau de responsabilidade atribuído à associação, aos jogadores ou a outros integrantes da delegação.
Até o momento, a Comissão Disciplinar não anunciou uma decisão final nem informou quais sanções poderiam ser aplicadas.
Processo inclui outras possíveis irregularidades
A apuração contra a AFA não está limitada à bandeira sobre as Ilhas Malvinas. A FIFA também analisa possíveis violações relacionadas ao comportamento da equipe, de integrantes da comissão técnica e de torcedores argentinos durante diferentes partidas do Mundial.
Entre os episódios mencionados estão cânticos ou gestos considerados discriminatórios, atrasos no início de jogos, falhas no cumprimento de protocolos, problemas de ordem e segurança e lançamento de objetos por torcedores.
Cada acusação deverá ser examinada separadamente. A entidade precisará avaliar as imagens, os relatórios dos árbitros, os documentos produzidos pelos responsáveis pela segurança e as manifestações apresentadas pelos investigados.
A AFA terá a oportunidade de contestar os fatos, apresentar documentos e explicar as providências adotadas durante a competição.
Jogadores argentinos são investigados
A FIFA também abriu processos individuais por causa das confusões registradas após a final entre Argentina e Espanha, disputada em 19 de julho, no estádio de Nova York e Nova Jersey.
Leandro Paredes responde a três acusações de possível agressão. Nahuel Molina é investigado por dois episódios relacionados a agressão, além de possível conduta antidesportiva.
Roberto Ayala, integrante da comissão técnica argentina, também foi incluído em um procedimento por possível agressão. Thiago Almada responde por suspeita de comportamento antidesportivo.
O espanhol Gavi é investigado pela mesma possível infração disciplinar. Todos os envolvidos poderão apresentar defesa antes que a Comissão Disciplinar decida se aplicará punições.
Esses procedimentos são independentes do processo envolvendo a bandeira, embora integrem a análise mais ampla da FIFA sobre os episódios registrados durante a participação argentina no torneio.
Malvinas são motivo de disputa histórica
A mensagem exibida pelos jogadores faz referência à disputa de soberania entre Argentina e Reino Unido pelas Ilhas Malvinas, chamadas de Falkland Islands pelos britânicos.
O arquipélago permanece sob administração britânica, mas é reivindicado pelo governo argentino. O tema ocupa uma posição central na política externa e no sentimento nacional da Argentina.
A disputa levou à Guerra das Malvinas, em 1982, após forças argentinas ocuparem as ilhas durante a ditadura militar. O conflito terminou cerca de dez semanas depois, com a retomada do território pelo Reino Unido.
Desde então, a Argentina mantém a reivindicação pela soberania por meios diplomáticos. A utilização dessa mensagem em uma competição esportiva, entretanto, pode ser considerada uma manifestação política pelas normas da FIFA.
Caso semelhante ocorreu em 2014
A Argentina já havia sido punida pela FIFA por uma manifestação semelhante. Em 2014, antes de uma partida contra a Eslovênia, jogadores exibiram uma faixa com a mesma reivindicação territorial.
Na ocasião, a entidade aplicou uma multa à AFA por considerar que a manifestação violava as regras que impedem o uso do futebol para mensagens políticas. O precedente poderá ser considerado na análise do novo processo.
A situação de 2026, porém, envolve circunstâncias diferentes e será avaliada conforme os fatos, os relatórios e o Código Disciplinar em vigor.
Decisão será tomada após apresentação das defesas
A Comissão Disciplinar deverá aguardar as explicações da AFA, dos jogadores e dos integrantes da comissão técnica antes de definir qualquer medida.
As punições possíveis podem incluir advertências, multas, suspensões ou outras sanções previstas nas normas da FIFA. A aplicação dependerá da comprovação das infrações e da responsabilidade de cada envolvido.
A entidade ainda não informou quando divulgará a decisão. As resoluções fundamentadas da Comissão Disciplinar são publicadas periodicamente nos canais jurídicos da FIFA.
O processo acrescenta um novo capítulo à campanha argentina na Copa do Mundo de 2026. Depois de chegar à final e terminar com o vice-campeonato, a seleção encerrou o torneio sob investigação por manifestação política, possíveis atos discriminatórios, problemas de segurança e confrontos ocorridos após a decisão.
*Da Agência Fonte Exclusiva
