A trajetória do atacante Zeca Carvalho, de 28 anos, no futebol asiático é um verdadeiro exemplo de resiliência. Atual artilheiro do Shandong Taishan, da China, com 10 gols e 4 assistências em 17 jogos, o brasileiro já esteve tão desacreditado que chegou a ponderar abandonar os gramados para retomar o curso de engenharia civil.
O sucesso atual contrasta com um momento crucial na carreira do jogador: uma grave lesão logo em sua estreia pelo Boavista, de Portugal. “Quebrei a clavícula. Fiquei sentado numa cadeira de rodas, molhado da chuva, das oito da noite até às quatro da manhã, segurando o braço. Naquele momento, eu só pensava que podia estar em casa, estudando”, relembra Zeca em entrevista exclusiva.
Foi nesse fundo do poço que ele encontrou a motivação para triplicar seus esforços. Após se recuperar, passou por vários clubes brasileiros até brilhar no Mirassol em 2022, o que abriu as portas para a Coreia do Sul. Lá, se tornou um dos melhores do campeonato.
“Quando eu estava no Bahia e no Vitória, cheguei a cursar dois anos e meio de engenharia. Eu tinha um outro caminho a seguir”, disse ele, em entrevista ao Terra. Mas, a proposta do time português o fez largar a graduação. O que ele não podia prever era o que o destino o reservava. “Quando eu fui para Portugal, eu quebrei a clavícula no meu primeiro jogo da temporada, num jogo de chuva, nunca vou esquecer”.
A decisão de migrar para a Ásia foi estratégica, buscando tranquilidade no extracampo longe da pressão intensa do futebol brasileiro. “Quero uma vida onde consiga viver o extracampo, com tranquilidade para trabalhar, independentemente do resultado”, explica.
A consolidação veio com a transferência para a China, uma escolha que muitos questionaram, mas que se mostrou acertada. “Muita gente falava: ‘você vai pra China? É tudo fechado’. É uma propaganda que não faz jus. Quem mora aqui sabe como é. Me surpreendi muito com a vivência e a estrutura”, comemora o atacante.
Com um estilo de jogo versátil, que ele mesmo define como de “um cara que aprende muito e está em constante evolução”, Zeca não planeja voltar ao Brasil. “Não tenho vontade nenhuma de sair da Ásia. Pretendo ficar aqui até o fim. Quero voltar pro Brasil e que ninguém me conheça”, finaliza o artilheiro, encontrando no futebol asiático não apenas sucesso esportivo, mas uma nova qualidade de vida.
Da Agência Fonte Exclusiva.
