Há dez anos, Lionel Messi viveu um dos momentos mais marcantes e dolorosos de sua carreira. Em 27 de junho de 2016, logo após a derrota da Argentina para o Chile na final da Copa América Centenário, o camisa 10 anunciou, ainda no gramado, que estava deixando a seleção argentina.
A decisão surpreendeu o mundo do futebol. Abalado após desperdiçar uma cobrança de pênalti na disputa que definiu o título, Messi afirmou que não conseguia mais lidar com as sucessivas derrotas em decisões vestindo a camisa da Argentina.
“Para mim, acabou na seleção. Fiz tudo o que podia. Dói muito não conseguir ser campeão”, declarou na ocasião.
Sequência de vice-campeonatos aumentou a pressão
Antes daquele anúncio, Messi já havia acumulado uma série de frustrações em competições importantes. A Argentina terminou como vice-campeã da Copa América de 2007, perdeu a final da Copa do Mundo de 2014 para a Alemanha e foi derrotada pelo Chile nas decisões da Copa América de 2015 e da edição centenária, em 2016.
Ao longo desse período, o craque conviveu com comparações constantes com Diego Maradona e com a expectativa de devolver à Argentina um título de expressão após décadas de jejum.
As cobranças aumentaram especialmente depois da campanha no Mundial de 2014, quando a seleção chegou à final, mas acabou derrotada na prorrogação.
A despedida que durou pouco
A decisão de deixar a seleção mobilizou torcedores, ex-jogadores e atletas de diferentes países.
Cristiano Ronaldo manifestou solidariedade ao argentino e afirmou que um pênalti perdido não poderia definir a carreira de um dos maiores jogadores da história. Neymar também prestou apoio público, enquanto Diego Maradona demonstrou confiança de que Messi ainda conquistaria uma Copa do Mundo com a Argentina.
Pouco mais de um mês após anunciar a aposentadoria, Messi voltou atrás. Convencido pelo técnico Edgardo Bauza durante uma conversa realizada na Espanha, o atacante decidiu retornar à equipe nacional.
Na época, explicou que havia tomado a decisão ainda sob forte impacto emocional e que o desejo de continuar defendendo seu país falou mais alto.
Os títulos mudaram a história
O desfecho da trajetória foi completamente diferente daquele imaginado em 2016.
Em 2021, Messi finalmente conquistou seu primeiro grande título pela seleção principal ao vencer a Copa América diante do Brasil, no Maracanã.
No ano seguinte, levantou a taça da Finalíssima e, em dezembro de 2022, realizou o maior sonho da carreira ao comandar a Argentina na conquista da Copa do Mundo do Catar, encerrando décadas de espera pelo tricampeonato mundial.
Após levantar o troféu continental, o camisa 10 afirmou que havia conseguido retirar um enorme peso das costas depois de tantos anos de cobranças.
Nova Copa, novos recordes
A trajetória histórica ganhou novos capítulos na Copa do Mundo de 2026. Aos 39 anos, Messi voltou a liderar a seleção argentina na busca por mais um título mundial.
A Argentina encerrou a fase de grupos com 100% de aproveitamento, avançou às oitavas de final e eliminou Cabo Verde em uma partida emocionante.
Mesmo tendo desperdiçado uma cobrança de pênalti diante do Egito, o capitão segue como um dos principais destaques da competição. Com sete gols marcados, tornou-se o maior artilheiro da história das Copas do Mundo, alcançando 20 gols em seis participações e superando o alemão Miroslav Klose.
Legado eterno
O episódio de 2016, que parecia representar o fim da história de Messi com a camisa da Argentina, acabou se transformando apenas em um momento de transição.
Nos anos seguintes, o argentino conquistou os títulos que faltavam, quebrou recordes históricos e consolidou seu legado como um dos maiores jogadores de todos os tempos.
A trajetória do camisa 10 mostra como uma despedida marcada por lágrimas e frustração acabou dando lugar ao período mais vitorioso de sua carreira, transformando uma das maiores decepções de sua vida esportiva em uma história de superação, conquistas e reconhecimento mundial.
*Da Agência Fonte Exclusiva
