A Copa do Mundo de 2026 não será apenas o maior Mundial da história em número de seleções. A competição também deve reforçar uma das marcas mais evidentes do futebol moderno: a presença cada vez maior de jogadores que defendem países diferentes daqueles onde nasceram.
Com 48 seleções e 1.248 atletas inscritos, o torneio reúne histórias marcadas por migração, dupla nacionalidade, origem familiar, formação esportiva em outros países e escolhas pessoais que atravessam fronteiras. Em campo, a camisa de uma seleção já não representa apenas o local de nascimento, mas também vínculos familiares, culturais e esportivos construídos ao longo da vida.
Levantamentos internacionais apontam que centenas de jogadores da Copa de 2026 nasceram fora dos países que irão representar. Os números variam conforme o critério utilizado, mas mostram a força desse fenômeno no Mundial. Há listas que indicam mais de 250 atletas nessa condição e outras que chegam a quase 290 nomes.
Entre os exemplos mais conhecidos está o de Alphonso Davies, astro do Canadá, nascido em Gana. A seleção canadense também conta com nomes como Jonathan David, nascido nos Estados Unidos, Ismael Koné, nascido na Costa do Marfim, e Tani Oluwaseyi, nascido na Nigéria.
Nos Estados Unidos, a presença de jogadores nascidos fora do território americano também chama atenção. Antonee Robinson nasceu na Inglaterra, Gio Reyna também nasceu em solo inglês, Malik Tillman nasceu na Alemanha, Alejandro Zendejas nasceu no México e Sergiño Dest nasceu nos Países Baixos. O elenco americano simboliza bem a diversidade de origens que marca o futebol atual.
O Marrocos aparece como uma das seleções mais representativas desse movimento. O país conta com atletas nascidos em diferentes partes da Europa e da América do Norte, como Achraf Hakimi, nascido na Espanha, Yassine Bounou, nascido no Canadá, Hakim Ziyech e Sofyan Amrabat, nascidos nos Países Baixos, além de jogadores com origem na França, Bélgica e Espanha. A forte diáspora marroquina ajuda a explicar a formação de um elenco multicultural.
A Argélia também reúne nomes formados fora do país. Houssem Aouar, Riyad Mahrez e Luca Zidane nasceram na França, mas optaram por representar a seleção argelina. O caso reflete uma relação histórica entre países, comunidades migrantes e identidade esportiva.
Na Argentina, Nico Paz, nascido na Espanha, e Giuliano Simeone, nascido na Itália, aparecem entre os nomes que representam a seleção campeã mundial mesmo tendo nascido fora do território argentino. Já na Alemanha, Waldemar Anton nasceu no Uzbequistão.
A Croácia também tem atletas nascidos em outros países europeus, como Josip Stanisic e Marin Pongracic, nascidos na Alemanha, Luka Sucic e Mateo Kovacic, nascidos na Áustria, e Martin Baturina, nascido na Suíça.
Entre as seleções com forte presença de atletas nascidos no exterior está Curaçao. A maior parte do elenco tem ligação com os Países Baixos, reflexo da relação histórica e política entre os territórios. O caso é um dos mais emblemáticos da Copa, pois mostra como a formação de seleções pode estar diretamente ligada a contextos coloniais, migratórios e familiares.
A Turquia também apresenta vários jogadores nascidos fora do país, especialmente na Alemanha e nos Países Baixos. Nomes como Hakan Çalhanoğlu, Can Uzun, Kaan Ayhan e Salih Özcan nasceram em território alemão, enquanto Ferdi Kadıoğlu, Oğuz Aydın e Orkun Kökçü nasceram nos Países Baixos.
No México, aparecem casos como Santiago Giménez, nascido na Argentina, Julián Quiñones, nascido na Colômbia, Álvaro Fidalgo, nascido na Espanha, e atletas nascidos nos Estados Unidos, como Brian Gutiérrez e Obed Vargas.
O fenômeno também alcança grandes seleções europeias. A França conta com Brice Samba, nascido na República do Congo, Michael Olise, nascido na Inglaterra, e Marcus Thuram, nascido na Itália. A Espanha tem Aymeric Laporte, nascido na França. A Noruega tem Erling Haaland, nascido na Inglaterra. O Uruguai conta com Fernando Muslera, nascido na Argentina, e Rodrigo Zalazar, nascido na Espanha.
Mais do que uma curiosidade estatística, a presença desses jogadores revela como o futebol se tornou um espelho da mobilidade global. Famílias que migraram, atletas formados em academias estrangeiras e descendentes de comunidades espalhadas pelo mundo ajudam a redesenhar o conceito de seleção nacional.
Na prática, a Copa do Mundo de 2026 deve mostrar que identidade no futebol não se resume ao local de nascimento. Em muitos casos, vestir uma camisa nacional é resultado de laços familiares, memórias afetivas, pertencimento cultural e oportunidades esportivas.
Em um Mundial ampliado e disputado em três países, essa mistura de origens deve transformar o torneio em uma vitrine ainda maior da diversidade do esporte. A bola vai rolar nos Estados Unidos, no México e no Canadá, mas as histórias em campo terão raízes espalhadas por todos os continentes.
*Da Agência Fonte Exclusiva
