China transforma Copa do Mundo em vitrine global e amplia exportações esportivas

Mesmo sem disputar o torneio, país lucra com a venda de camisas, bolas, acessórios e com a exposição internacional de grandes marcas.

China amplia exportações de artigos esportivos durante a Copa de 2026 e fortalece marcas como Hisense, Lenovo e Mengniu no mercado internacional.

Imagem: Ilustração Gerada por IA/ Via RT

Sem jogadores na disputa pelo título, a China encontrou outra maneira de participar da Copa do Mundo de 2026: abastecendo parte do mercado internacional de produtos ligados ao futebol.

A procura por camisas, bolas, bandeiras, calçados e acessórios impulsionou fábricas e exportadores do país durante a competição realizada nos Estados Unidos, no Canadá e no México.

O movimento ganhou força com a aproximação da final entre Espanha e Argentina. A classificação das duas seleções provocou uma corrida comercial por produtos relacionados aos finalistas, especialmente camisas de jogadores que ganharam destaque durante o torneio.

Um empresário do setor de vestuário da província de Jiangxi relatou ao South China Morning Post que as encomendas de camisas argentinas aumentaram depois da vitória da seleção sobre a Inglaterra na semifinal.

Segundo ele, as vendas de uniformes esportivos cresceram aproximadamente 60% nos últimos meses, com expansão principalmente para Europa, Sudeste Asiático e América Latina.

A procura não ficou limitada aos finalistas. Produtos associados a nomes como Lionel Messi, Cristiano Ronaldo, Kylian Mbappé e Erling Haaland também aparecem entre os mais buscados pelos compradores internacionais.

Exportações chegam a 67,53 bilhões de yuans

Os resultados comerciais da indústria esportiva chinesa ultrapassam o período específico da Copa. Dados da Administração-Geral das Alfândegas da China indicam que as exportações de artigos e equipamentos esportivos alcançaram 67,53 bilhões de yuans no primeiro semestre de 2026.

Desse total, aproximadamente 3,08 bilhões de yuans foram obtidos somente com a exportação de bolas utilizadas em diferentes modalidades. O país responde por mais de 40% das vendas mundiais de artigos esportivos e permanece como o maior exportador do setor.

O desempenho acompanha a expansão do comércio exterior chinês. No primeiro semestre, as exportações totais do país cresceram 13,4% em comparação com o mesmo período do ano anterior, atingindo 14,73 trilhões de yuans.

A capacidade de produzir em grande escala e adaptar rapidamente as linhas industriais permite que as empresas respondam às mudanças provocadas pelos resultados esportivos.

Quando uma seleção avança às fases decisivas, os fabricantes conseguem aumentar a produção de camisas, bandeiras, miniaturas, brinquedos e outros artigos procurados pelos torcedores.

Resultados em campo alteram encomendas

O comportamento do mercado durante a Copa mostra como os acontecimentos esportivos interferem quase imediatamente nas cadeias de produção.

Uma classificação inesperada, um gol decisivo ou a valorização de determinado jogador pode provocar aumento repentino das encomendas. Por outro lado, a eliminação de uma seleção pode reduzir a procura por seus produtos e obrigar os fabricantes a reorganizar estoques.

As empresas chinesas utilizam uma rede formada por fornecedores de tecidos, gráficas, transportadoras, plataformas digitais e centros atacadistas para atender rapidamente a essas variações.

A cidade de Yiwu, na província de Zhejiang, é um dos principais polos dessa produção. A região concentra fabricantes de bandeiras, brinquedos, lembranças, artigos de torcida e outros produtos comercializados durante grandes competições internacionais.

Somente no primeiro trimestre de 2026, Yiwu exportou 2,83 bilhões de yuans em artigos e equipamentos esportivos, crescimento de 12% em relação ao mesmo período do ano anterior.

Além da fabricação de mercadorias, a presença chinesa também pode ser observada na publicidade e na infraestrutura tecnológica do torneio.

Lenovo, Hisense e Mengniu estão entre as empresas chinesas ligadas comercialmente à Copa do Mundo de 2026. As marcas utilizaram o evento para apresentar produtos, realizar ações com torcedores e ampliar sua presença em mercados internacionais.

A Hisense renovou sua parceria com a Fifa e tornou-se patrocinadora oficial da competição. A fabricante de televisores e eletrodomésticos recebeu direitos de exposição da marca em plataformas físicas e digitais, além de participar de iniciativas relacionadas à experiência audiovisual dos torcedores.

A Lenovo atua como parceira tecnológica da Fifa. A companhia forneceu milhares de equipamentos e mobilizou centenas de profissionais para trabalhar nos estádios, integrando recursos de inteligência artificial e infraestrutura digital às operações do Mundial.

Já a Mengniu, uma das maiores empresas chinesas do setor de laticínios, possui contrato de patrocínio para as Copas do Mundo masculinas de 2026 e 2030 e para o Mundial Feminino de 2027, que será realizado no Brasil.

Busca pela Mengniu dispara durante o torneio

A visibilidade proporcionada pela competição produziu reflexos nas plataformas digitais. Segundo levantamento citado pelo South China Morning Post, as pesquisas pelo nome Mengniu cresceram mais de 5.000% em um mês na comparação com o mesmo período do ano anterior.

O avanço demonstra como um evento de audiência global pode apresentar empresas a consumidores que anteriormente tinham pouco ou nenhum contato com essas marcas.

Para companhias chinesas em processo de internacionalização, a Copa oferece uma oportunidade de associar produtos e serviços a uma competição acompanhada por bilhões de pessoas.

A estratégia vai além da compra de espaços publicitários. Algumas empresas fornecem tecnologias, equipamentos e soluções utilizadas na própria organização dos jogos, tornando-se parte da estrutura operacional do evento.

Produção deverá mudar após a final

Com o encerramento da Copa, a procura por camisas e acessórios ligados às seleções deverá diminuir gradualmente. Para evitar uma queda acentuada nas vendas, fabricantes já começam a adaptar suas linhas de produção para outras datas comerciais.

Entre os próximos focos está o Halloween, celebrado em outubro principalmente nos Estados Unidos e no Canadá. Empresas que produziram artigos de torcida poderão passar a fabricar fantasias, máscaras, enfeites e acessórios temáticos.

A rápida mudança entre categorias demonstra uma das principais características da indústria chinesa: a capacidade de reorganizar fornecedores, materiais e trabalhadores conforme o comportamento do mercado internacional.

Essa flexibilidade permite que as fábricas aproveitem períodos de forte demanda sem permanecer dependentes de um único evento.

A seleção masculina chinesa não disputa uma Copa do Mundo desde 2002, mas as empresas do país continuam ampliando sua participação econômica em torno do futebol.

Na edição de 2026, essa presença ficou evidente na produção de mercadorias, nas exportações, nos patrocínios e no fornecimento de tecnologia para a organização do campeonato.

A combinação entre escala industrial, rapidez de produção e estratégia de internacionalização transformou a Copa em uma importante plataforma comercial para o país.

Sem entrar em campo, a China conseguiu aproveitar a principal competição do futebol mundial para movimentar suas fábricas, fortalecer marcas e conquistar maior espaço entre os consumidores internacionais.

*Da Agência Fonte Exclusiva

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