Da possibilidade de acompanhar a decisão apenas pela televisão ao embarque de última hora para Nova York, Joan Capdevila viveu horas de incerteza antes da final da Copa do Mundo de 2026.
O ex-lateral, campeão mundial pela Espanha em 2010, conseguiu solucionar uma pendência migratória e viajou aos Estados Unidos para assistir ao confronto contra a Argentina.
A confirmação foi feita na madrugada deste domingo (19) por Marcos Senna. O brasileiro naturalizado espanhol publicou uma fotografia ao lado de Capdevila durante o embarque e usou a expressão “rumo à segunda estrela”, em referência à tentativa da seleção de conquistar novamente o título mundial.
Os dois atuaram juntos no Villarreal e integraram a geração que iniciou o período mais vitorioso da história recente do futebol espanhol. Senna participou da conquista da Eurocopa de 2008, enquanto Capdevila esteve naquela campanha e também foi titular durante todo o Mundial de 2010.
Autorização eletrônica foi recusada
A viagem de Capdevila ficou ameaçada após a rejeição de seu pedido no Sistema Eletrônico para Autorização de Viagem, conhecido como ESTA.
O mecanismo é utilizado por cidadãos de países incluídos no Programa de Isenção de Vistos dos Estados Unidos. Quando aprovado, permite viagens de curta duração sem a necessidade de obtenção prévia de um visto convencional.
O ex-jogador revelou a negativa nas redes sociais e pediu auxílio às autoridades norte-americanas e espanholas. Ele marcou o presidente Donald Trump, o secretário de Estado Marco Rubio e representantes do governo da Espanha ligados ao esporte.
Capdevila demonstrou frustração diante da possibilidade de perder a partida e afirmou que desejava acompanhar a final ao lado dos filhos e de antigos companheiros da seleção campeã mundial.
O apelo ganhou repercussão entre torcedores, ex-atletas e personalidades espanholas. O chef José Andrés, que vive nos Estados Unidos, também solicitou publicamente que as autoridades e a FIFA colaborassem para encontrar uma solução.
Passagem pelo Irã provocou o bloqueio
Segundo o próprio Capdevila, a dificuldade estava relacionada a uma viagem realizada ao Irã em 2016.
Naquele ano, o ex-lateral participou de um amistoso em Teerã que reuniu antigos jogadores do Campeonato Espanhol e ex-integrantes do futebol iraniano. A visita teve finalidade esportiva, mas passou a interferir em sua situação migratória uma década depois.
As regras norte-americanas limitam o uso do ESTA por pessoas que estiveram no Irã a partir de 1º de março de 2011. Em situações desse tipo, o viajante geralmente precisa solicitar um visto convencional, salvo exceções avaliadas pelas autoridades.
A rejeição do pedido eletrônico não representa uma acusação criminal. Ela apenas impede que a entrada seja realizada pelo sistema simplificado até que o interessado obtenha outra autorização válida.
Solução ocorreu sem explicação oficial
Não foram divulgados detalhes sobre o procedimento que permitiu o embarque. Também não foi esclarecido se Capdevila recebeu um visto emergencial, uma autorização excepcional ou outro tipo de liberação administrativa.
A publicação feita por Marcos Senna confirmou apenas que o problema havia sido resolvido e que os dois estavam a caminho dos Estados Unidos.
A mobilização foi concluída poucas horas antes da decisão, permitindo que Capdevila se juntasse a outros integrantes da seleção campeã mundial de 2010 convidados para acompanhar a partida.
Ligação entre duas gerações
A presença de Capdevila nas arquibancadas terá valor simbólico para o futebol espanhol. O ex-lateral disputou os sete jogos da campanha de 2010 e participou da final vencida por 1 a 0 sobre a Holanda, na África do Sul.
Andrés Iniesta marcou o gol da conquista durante a prorrogação. O título transformou aquela equipe na primeira seleção espanhola a levantar a taça da Copa do Mundo.
O elenco reunia nomes como Iker Casillas, Carles Puyol, Sergio Ramos, Xavi Hernández, Xabi Alonso, David Villa e Fernando Torres. Capdevila ocupou a lateral esquerda durante toda a competição e foi reconhecido pela regularidade defensiva.
Dezesseis anos depois, o ex-jogador acompanhará uma nova geração tentando repetir a conquista e acrescentar a segunda estrela ao uniforme da Espanha.
Final coloca campeões frente a frente
Espanha e Argentina disputam a decisão neste domingo, em Nova Jersey. A partida está marcada para as 16h, pelo horário de Brasília.
A seleção espanhola chegou à final depois de eliminar a França. Já os argentinos superaram a Inglaterra e entram em campo defendendo o título conquistado em 2022.
A Espanha tenta repetir o feito de 2010. A Argentina busca seu quarto troféu mundial, depois das conquistas de 1978, 1986 e 2022.
Após enfrentar uma corrida contra o tempo para regularizar a documentação, Capdevila conseguiu embarcar. O campeão mundial estará presente para acompanhar a seleção espanhola na tentativa de escrever outro capítulo histórico.
*Da Agência Fonte Exclusiva
