A tensão na região de fronteira entre Venezuela e Colômbia levou o governo venezuelano a ampliar a presença de forças de segurança na área. O ministro do Interior, Justiça e Paz, Diosdado Cabello, informou que militares, policiais e autoridades locais foram mobilizados para prevenir possíveis consequências de conflitos registrados no território colombiano.
O anúncio foi feito durante uma coletiva de imprensa do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV), do qual Cabello é secretário-geral. Na ocasião, o ministro afirmou que o governo acompanha os acontecimentos no país vizinho e lamenta situações de violência, independentemente de onde ocorram.
Segundo ele, a mobilização tem caráter preventivo e busca evitar que episódios de instabilidade ultrapassem a fronteira e atinjam a população venezuelana.
Colômbia anuncia militarização de Cúcuta
O reforço na segurança venezuelana ocorre após o governo colombiano anunciar a militarização de Cúcuta, cidade localizada no departamento de Norte de Santander, próxima à fronteira com o estado venezuelano de Táchira.
A decisão foi tomada depois de um atentado com explosivos registrado na terça-feira (27), nas proximidades da ponte internacional Francisco de Paula Santander. A ocorrência deixou várias pessoas feridas e aumentou a preocupação com a segurança na região.
Durante a coletiva, Cabello afirmou que a Venezuela não pretende interferir nos assuntos internos de outros países e defendeu que o princípio de respeito à soberania seja aplicado igualmente nas relações internacionais.
“Não nos metemos nos assuntos internos de ninguém, porque sempre esperamos que não se metam nos nossos assuntos internos”, declarou.
O ministro acrescentou que o Estado venezuelano tem a responsabilidade de proteger seus cidadãos diante de possíveis ameaças à estabilidade regional. A atuação das forças de segurança, segundo ele, pretende impedir que a população seja afetada por uma situação de conflito que não envolve diretamente o país.
Cabello comenta assassinato em Guasdualito
Na mesma entrevista, o ministro também mencionou um assassinato ocorrido em Guasdualito, município do estado venezuelano de Apure, próximo à fronteira com o departamento colombiano de Arauca.
De acordo com Cabello, o crime aconteceu dois dias antes da coletiva e apresentou circunstâncias que ele classificou como incomuns. O governador da região teria se deslocado até o local acompanhado de sua equipe e de autoridades responsáveis pela investigação.
“Há dois dias, ocorreu um incidente em Guasdualito e uma pessoa foi assassinada em circunstâncias muito estranhas. O que fez o governador? Foi até o local com toda a sua equipe e as autoridades para investigar o que aconteceu”, afirmou.
Ao encerrar sua manifestação, Cabello citou uma declaração da presidente Delcy Rodríguez sobre a posição do governo diante dos episódios de violência e da possibilidade de instabilidade na região.
“A presidente foi muito clara: ‘Não queremos conflitos internos na Venezuela, muito menos conflitos que não são nossos’”, disse o ministro.
*Da Agência Fonte Exclusiva
