Após meses de apelos sem efeito, a União Europeia começou a adotar medidas mais firmes contra Israel devido à ofensiva militar em Gaza e à deterioração das condições humanitárias na região. A Comissão Europeia propôs suspender o acesso de empresas israelenses a fundos de pesquisa, citando violações dos direitos humanos e do direito humanitário por parte do governo de Benjamin Netanyahu.
A iniciativa surge em meio a denúncias de fome generalizada e crescentes mortes por desnutrição na Faixa de Gaza. “Com a intervenção militar em Gaza e a crise humanitária resultante, Israel descumpre princípios essenciais do acordo de cooperação com a UE”, afirmou a Comissão.
O Ministério das Relações Exteriores de Israel reagiu negativamente à proposta, classificando-a como “injustificada” e alegando que medidas punitivas fortaleceriam o Hamas. Apesar da proposta não ter sido votada devido ao pedido de análise adicional por países como Alemanha e Itália, o cenário diplomático se torna cada vez mais tenso.
Segundo analistas e organizações como a Oxfam, há uma crescente pressão dentro da UE para adotar um novo posicionamento frente às ações israelenses. No entanto, divergências internas continuam sendo um obstáculo, com países como Hungria, República Tcheca e Bulgária se opondo a sanções, enquanto Espanha, Irlanda e Suécia defendem respostas mais duras.
Uma investigação aberta em maio revisou o Acordo de Associação UE-Israel e apontou possíveis violações, como bloqueios à ajuda humanitária, ataques a hospitais e a expansão de assentamentos ilegais. A Alemanha, apesar de seu histórico apoio a Israel, tem adotado um tom mais crítico e exigido medidas concretas para amenizar a situação.
Em junho, o bloco avaliou possíveis punições, como restrição de vistos, sanções contra autoridades israelenses e suspensão de importações de áreas ocupadas. Algumas medidas podem ser aprovadas por maioria qualificada; outras exigem unanimidade, o que dificulta avanços.
A expectativa de que um acordo entre Israel e a UE melhorasse a situação humanitária não se confirmou plenamente. Mesmo após promessas israelenses de facilitar a entrada de ajuda, denúncias de fome persistem. Israel afirma estar tomando medidas, mas responsabiliza a ONU e o Hamas pela crise.
Diante da frustração com os resultados, países como Suécia e Espanha passaram a pressionar pelo congelamento do acordo comercial entre UE e Israel. O objetivo é elevar os custos das exportações israelenses e forçar mudanças concretas.
Enquanto isso, algumas nações adotam sanções unilaterais. Espanha e Bélgica restringiram exportações de armas para Israel; Eslovênia e Holanda proibiram a entrada de ministros israelenses acusados de extremismo. A França, por sua vez, reconheceu formalmente o Estado da Palestina.
A Alemanha, peça-chave para qualquer decisão no bloco, também começa a sinalizar mudanças. Durante visita recente a Israel, o ministro das Relações Exteriores alertou sobre o risco de isolamento diplomático e condenou planos de anexação da Cisjordânia. A evolução da postura alemã será determinante para o futuro das sanções propostas pela União Europeia.
Da Agência Fonte Exclusiva.
