Trump endurece discurso e ameaça sufocar economia canadense com tarifa de 100%

Escalada ocorre após acordo entre Canadá e China e troca pública de críticas entre Trump e o primeiro-ministro Mark Carney

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Imagem | Reprodução/RFI

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçou impor tarifas de até 100% sobre produtos canadenses caso o Canadá avance com a implementação de um acordo comercial recém-firmado com a China. A declaração foi feita no sábado e elevou de forma significativa a tensão diplomática entre Washington e Ottawa.

Em publicação nas redes sociais, Trump acusou o primeiro-ministro canadense, Mark Carney, de permitir que o país se transforme em uma espécie de “rota alternativa” para que produtos chineses cheguem ao mercado americano. Segundo o presidente norte-americano, essa estratégia colocaria em risco a economia canadense e abriria espaço para uma influência excessiva de Pequim na América do Norte.

A ameaça representa uma mudança brusca de tom. Quando o acordo entre Canadá e China foi anunciado, em meados de janeiro, Trump chegou a demonstrar indiferença, afirmando que o governo canadense fazia apenas o que considerava melhor para seus próprios interesses. O clima, no entanto, azedou poucos dias depois, durante o Fórum Econômico Mundial em Davos.

No evento, Carney defendeu que o mundo vive uma ruptura na ordem econômica internacional e criticou o uso de tarifas como instrumento de coerção política por grandes potências. A fala foi interpretada por Trump como uma provocação direta. Em resposta, o presidente dos EUA afirmou que o Canadá se beneficia excessivamente da relação com os Estados Unidos e deveria demonstrar mais “gratidão”.

O acordo firmado com a China prevê a redução significativa das tarifas canadenses sobre veículos elétricos chineses, além da ampliação gradual do volume de importações permitido. Em contrapartida, Pequim se comprometeu a diminuir tarifas sobre produtos agrícolas canadenses, especialmente sementes de canola, liberando bilhões de dólares em exportações.

Especialistas alertam que a imposição de uma tarifa de 100% por parte dos Estados Unidos teria efeitos severos sobre a economia canadense. Atualmente, cerca de 70% das exportações do Canadá têm como destino o mercado americano. Uma sanção dessa magnitude poderia afetar cadeias produtivas inteiras, pressionar empregos e encarecer produtos para consumidores dos dois lados da fronteira.

A China é hoje o segundo maior parceiro comercial do Canadá, atrás apenas dos Estados Unidos. O governo canadense tem defendido a diversificação de mercados como forma de reduzir a dependência histórica da economia americana. Trump, por sua vez, vê essa estratégia como uma ameaça direta aos interesses comerciais e estratégicos de Washington.

Até o momento, o governo canadense não anunciou qualquer recuo formal em relação ao acordo com a China, mas fontes diplomáticas indicam que o tema deve dominar as próximas rodadas de negociações entre os dois países.

*Da Agência Fonte Exclusiva

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