A atuação dos Estados Unidos na América Latina ganhou destaque no discurso de Donald Trump durante a abertura do Debate Geral da Assembleia Geral da ONU, nesta terça-feira (22).
O presidente americano defendeu uma política de maior pressão sobre governos e organizações que considera ameaças aos interesses dos Estados Unidos e citou o uso do poder militar no combate ao narcotráfico.
A fala ocorreu depois do discurso do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que abordou a soberania dos países e afirmou que o Brasil defende cooperação internacional, e não intervenções estrangeiras, para enfrentar o crime organizado.
Trump cita Venezuela e atuação militar
Ao falar sobre a Venezuela, Trump apresentou a captura de Nicolás Maduro, realizada pelos Estados Unidos em janeiro, como exemplo da disposição de Washington para agir na região. Maduro foi retirado do poder durante uma operação americana e posteriormente levado aos Estados Unidos, onde passou a responder a acusações relacionadas ao tráfico de drogas.
A Venezuela está atualmente sob um governo interino liderado por Delcy Rodríguez. A líder venezuelana esteve em Nova York durante a Assembleia Geral, onde participou de reuniões relacionadas a energia, dívida e investimentos no país.
Trump também mencionou a política americana de combate aos cartéis e defendeu o emprego das Forças Armadas contra grupos classificados pelo governo dos EUA como organizações terroristas estrangeiras.
Cartéis são comparados ao ISIS
Outro ponto destacado pelo presidente americano foi o combate ao narcotráfico. Trump comparou os cartéis de drogas ao ISIS e afirmou que os Estados Unidos precisam utilizar sua capacidade militar para enfrentar essas organizações.
A estratégia está relacionada à formação da coalizão Shield of the Americas, criada para ampliar a cooperação entre países do continente no combate ao crime organizado. Argentina, Equador, El Salvador, Colômbia e Peru estão entre os países participantes, enquanto Brasil e México não integram o grupo.
A política americana também tem provocado críticas de organizações de direitos humanos, especialmente em relação às operações militares contra embarcações suspeitas de transportar drogas.
México e Cuba também são citados
Trump voltou a cobrar uma atuação mais dura do México contra os cartéis. O governo mexicano, comandado por Claudia Sheinbaum, tem defendido a cooperação com os Estados Unidos, mas rejeita a possibilidade de intervenções militares estrangeiras em território mexicano.
Cuba também apareceu entre os alvos das declarações do presidente americano. Trump defendeu maior pressão sobre o governo cubano e relacionou a situação da ilha à política de segurança adotada por Washington.
Lula defende soberania e cooperação
Horas antes, Lula utilizou a tribuna da ONU para defender a soberania dos países e rejeitar interferências externas. O presidente brasileiro afirmou que o combate ao crime organizado deve ocorrer por meio da cooperação entre os países.
Lula também alertou para o risco de interferência estrangeira nas questões internas brasileiras e afirmou que o país está preparado para enfrentar organizações criminosas sem abrir mão de sua autonomia.
O contraste entre os discursos ficou evidente na abordagem sobre segurança regional. Enquanto Trump apresentou uma estratégia baseada em maior pressão americana e no emprego do poder militar contra organizações consideradas ameaças, Lula defendeu ações coordenadas entre os países, sem intervenção externa.
*Da Agência Fonte Exclusiva
