A BBC afirmou que irá se defender do processo de US$ 10 bilhões movido pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que acusa a emissora de difamação e de violar leis de práticas comerciais enganosas do estado da Flórida. A ação judicial foi apresentada na noite de segunda-feira e pede US$ 5 bilhões em indenização para cada uma das duas acusações.
Trump sustenta que a BBC editou de forma “intencional, maliciosa e enganosa” o discurso que ele fez em 6 de janeiro de 2021, pouco antes do ataque ao Capitólio, ao exibir um episódio do programa Panorama. Segundo o presidente, a edição teria distorcido o conteúdo de sua fala ao juntar trechos separados por quase uma hora, dando a entender que ele incentivou diretamente a invasão.
O programa exibiu partes do discurso em que Trump diz à multidão que marcharia até o Capitólio e que “lutaria como o inferno”. Para o presidente, essa edição criou uma narrativa falsa e prejudicial à sua imagem.
Em nota divulgada nesta terça-feira, a BBC afirmou que não fará novos comentários sobre o processo, mas reforçou que irá contestar judicialmente as acusações. A emissora já havia reconhecido anteriormente que houve um “erro de julgamento” na edição do programa e chegou a pedir desculpas a Trump, mas sustentou que não existe base legal para uma ação por difamação.
A controvérsia provocou repercussão política no Reino Unido. Stephen Kinnock, ministro da Saúde, afirmou que é correto a BBC manter sua posição e disse esperar que a emissora continue se defendendo. Já Ed Davey, líder dos Democratas Liberais, pediu que o primeiro-ministro Keir Starmer apoie publicamente a BBC diante do que chamou de uma ameaça legal “ultrajante”.
A pressão ocorre em um momento delicado para a emissora pública. No mês passado, o diretor-geral da BBC, Tim Davie, e a chefe da BBC News, Deborah Turness, deixaram seus cargos após a repercussão do caso envolvendo o Panorama.
Aliados de Trump, no entanto, defendem que a BBC busque um acordo. Christopher Ruddy, CEO da rede Newsmax, afirmou que um acerto financeiro evitaria desgaste maior para a emissora, prevendo que o caso poderia ser encerrado por um valor muito inferior ao pedido inicial.
Desde que foi reeleito, Trump tem acumulado vitórias judiciais contra grandes grupos de mídia nos Estados Unidos. A ABC, controlada pela Disney, aceitou pagar US$ 15 milhões em um acordo por difamação, enquanto a Paramount, dona da CBS News, fechou um acordo de US$ 16 milhões em outro processo semelhante.
A ação contra a BBC foi protocolada na Justiça federal da Flórida, apesar de o episódio do Panorama não ter sido exibido nos Estados Unidos e de plataformas como BBC One e BBC iPlayer não estarem disponíveis no país. A emissora deve argumentar que o programa não teve impacto relevante sobre a reputação de Trump junto ao público americano.
* Da Agência Fonte Exclusiva
