O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, elogiou o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) durante a edição de quinta-feira (4) do programa Con Maduro de Repente. Em um discurso em portunhol, o mandatário celebrou a proximidade com organizações sociais brasileiras. “Viva a unidade do povo do Brasil! Viva a unidade com o povo venezuelano! O povo do Brasil, atento, às ruas, para apoiar a Venezuela em sua luta pela paz e soberania”, afirmou.
Maduro também prestou homenagem à memória de Luís Carlos Prestes, figura histórica do Partido Comunista Brasileiro (PCB) e um dos protagonistas da política nacional no século XX.
Relação com o MST e soberania alimentar
O governo venezuelano mantém interlocução próxima com o MST. Em março, Maduro anunciou a destinação de 180 mil hectares de terras ao movimento brasileiro, como parte de uma política voltada ao fortalecimento da soberania alimentar na região.
Críticas aos Estados Unidos
Durante o programa, o presidente voltou a denunciar o que chama de “agressões” dos Estados Unidos contra seu país. Entre as acusações, Maduro citou:
- Escalada militar: envio de navios, caças, tropas e um submarino à costa venezuelana, em agosto, sob justificativa de combate ao narcotráfico. Desde então, Washington realizou bombardeios contra embarcações suspeitas no Caribe e no Pacífico, resultando em dezenas de mortes.
- Acusações infundadas: segundo Maduro, os EUA o acusam, sem provas, de chefiar um cartel de drogas — alegações também dirigidas ao presidente colombiano Gustavo Petro, que condenou as ações militares americanas.
- Operações secretas: o presidente norte-americano Donald Trump teria admitido autorizar a CIA a executar ações clandestinas na Venezuela. Maduro questionou: “Alguém acredita que a CIA não opera na Venezuela há 60 anos? Que não conspirou contra Chávez e contra mim?”
- Interesse em mudanças de regime: o líder venezuelano afirma que o objetivo dos Estados Unidos é provocar uma troca de governo para controlar as reservas de petróleo e gás do país.
Reações internacionais
As ações americanas foram alvo de críticas ao redor do mundo. O alto comissário da ONU para os Direitos Humanos, Volker Türk, condenou os bombardeios que deixaram mais de 60 mortos, classificando-os como violações ao direito internacional. Governos de Rússia, Colômbia, México e Brasil também se manifestaram contra os ataques. Peritos das Nações Unidas afirmaram que os episódios configuram “execuções sumárias”.
*Da Agência Fonte Exclusiva
