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Eleitores recusam medidas de segurança e reformas políticas propostas por Daniel Noboa, mantendo proibição a bases estrangeiras.

Reprodução / Agência Brasil

Rejeição nas urnas freia aproximação de Noboa com os EUA e mantém proibição a bases militares

Resultado reforça disputa política em meio à crise de violência e denúncias de abusos no Equador

Redação Por Redação
17/11/2025 - 13:09
em Internacional
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Os equatorianos rejeitaram, neste domingo (16), as quatro perguntas apresentadas pelo presidente Daniel Noboa em um referendo nacional. Entre as principais propostas derrotadas nas urnas estava a autorização para instalar bases militares estrangeiras no país — tema que ganhou forte repercussão por envolver diretamente os Estados Unidos.

Com mais de 91% das urnas apuradas, 60,65% dos eleitores votaram contra a presença de bases estrangeiras em território equatoriano, enquanto 39,35% apoiaram a ideia. A Constituição de 2008 já proíbe esse tipo de instalação militar, regra que forçou a retirada das tropas norte-americanas da cidade portuária de Manta em 2009.

Noboa vinha defendendo publicamente que bases dos EUA ajudariam no combate ao narcotráfico, que explodiu no país nos últimos anos. No início de novembro, o presidente recebeu em Manta a secretária de Segurança Nacional dos Estados Unidos, Kristi Noem, para discutir cooperação militar e tecnológica. “Quando o crime não conhece fronteiras, nossas estratégias também não devem conhecer”, afirmou o ministro da Defesa, Carlo Loffredo, durante o encontro.

Apesar do discurso, o eleitorado rejeitou a medida. Após o resultado, Noboa afirmou que respeitaria a vontade popular. “Nosso compromisso não muda, se fortalece”, declarou nas redes sociais.

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Rejeição à Constituinte e outras propostas

Além das bases estrangeiras, os equatorianos disseram não à convocação de uma Assembleia Constituinte — proposta que recebeu 61,65% de votos contrários. Noboa defendia reescrever a Carta Magna alegando que dispositivos atuais “protegem criminosos”. Já a oposição acusava o presidente de tentar desmontar direitos sociais sob o pretexto da crise de segurança.

Outras duas medidas também foram rejeitadas:

• fim dos repasses para o financiamento público de partidos políticos;
• redução do número de parlamentares, de 151 para 73.

Para partidos de oposição, especialmente o Revolução Cidadã, a derrota do governo representa um recado direto contra a aproximação crescente de Noboa com Washington. “Os equatorianos disseram que não querem bases militares em seu território. Disseram não à mentira e à manipulação”, afirmou a presidente do partido, Luisa González.

País vive pior crise de segurança da história recente

Com cerca de 18 milhões de habitantes, o Equador enfrenta uma onda de violência inédita. Entre 2019 e 2024, os homicídios cresceram 588%, impulsionados por disputas entre facções e pela mudança das rotas internacionais do narcotráfico. Rebeliões em presídios, motins e ataques armados tornaram-se frequentes.

Menos de três meses após assumir o governo, Noboa declarou “conflito armado interno” e autorizou as Forças Armadas a atuar amplamente na segurança pública. Desde então, organizações internacionais têm registrado denúncias de tortura, execuções e prisões arbitrárias cometidas pelo Estado.

Eleito para um mandato tampão de 18 meses, Noboa foi reeleito em fevereiro deste ano — vitória contestada pela oposição, que fala em fraude.

*Da Agência Fonte Exclusiva.

Tags: #América Latina#Eleições#Equador#Estados Unidos#Narcotrafico#Segurança PúblicaAssembleia Constituintebases militarescrise de segurançaDaniel Noboapolítica externareferendoviolência no Equador
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