Primeiro-ministro francês abandona cargo antes da primeira reunião de gabinete

Oposição acusou Macron de manter governo inalterado e ignorar apelos por renovação política

França enfrenta nova turbulência: Lecornu deixa cargo após críticas a gabinete inalterado e falta de apoio parlamentar.

Ilustração | SputnikBrasil

A França entrou em mais um capítulo de instabilidade política com a renúncia do primeiro-ministro Sébastien Lecornu nesta segunda-feira (6), apenas algumas semanas depois de ter sido nomeado para o cargo. Lecornu, terceiro chefe de governo francês em um ano, deixou o posto antes mesmo de presidir sua primeira reunião ministerial. O presidente Emmanuel Macron aceitou a saída na manhã de hoje.

Em um pronunciamento improvisado nas escadarias do Palácio de Matignon, Lecornu atribuiu a crise à falta de cooperação no parlamento e criticou o que chamou de “egos políticos”. Segundo ele, os partidos de oposição continuam a agir como se tivessem maioria absoluta, mesmo em um cenário de fragmentação.

A escolha do novo gabinete foi o estopim para as críticas. A formação apresentada manteve praticamente os mesmos nomes do governo anterior, derrubado no mês passado com a saída de François Bayrou após desentendimentos sobre cortes no orçamento. Entre os principais ministros reconduzidos estão Gérald Darmanin, na Justiça, e Rachida Dati, na Cultura. O Ministério da Economia foi entregue a Roland Lescure, aliado de Macron, enquanto Bruno Le Maire, que ocupou a pasta econômica por sete anos, surpreendeu ao retornar como ministro da Defesa.

A oposição acusou Lecornu e Macron de não cumprirem a promessa de ruptura com a política anterior. Jordan Bardella, líder do partido de extrema direita União Nacional, afirmou que não haverá estabilidade sem a dissolução do parlamento e novas eleições legislativas. Para ele, a insistência de Macron em manter aliados próximos demonstra falta de compreensão da atual crise política.

A França vive um impasse desde as eleições antecipadas convocadas em 2024, que não resultaram em maioria clara. O parlamento segue dividido entre centro, esquerda e extrema direita, o que tem dificultado a aprovação de medidas essenciais, como o orçamento para o próximo ano.

A renúncia de Lecornu ocorreu poucas horas antes de um possível voto de desconfiança no parlamento, que poderia ter derrubado seu governo antes mesmo de começar oficialmente. Agora, o futuro político do país permanece incerto, com a possibilidade de Macron ser pressionado a convocar novas eleições legislativas.

*Da Agência Fonte Exclusiva.

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