Capri perdeu neste sábado, 11 de julho, um dos artistas mais associados à história e à identidade cultural da ilha. Peppino di Capri, cantor, pianista e compositor conhecido internacionalmente por sucessos como “Champagne” e “Roberta”, morreu aos 86 anos no sul da Itália.
Batizado como Giuseppe Faiella, o músico nasceu em 27 de julho de 1939 e completaria 87 anos ainda neste mês. A confirmação da morte foi feita pela família e repercutida pelos canais oficiais do artista e pela imprensa italiana. Até o momento, a causa não havia sido divulgada.
Peppino deixa três filhos: Igor, Edoardo e Dario. A cerimônia de despedida está prevista para este domingo, 12 de julho, às 17h, no horário local, na antiga Catedral de Santo Stefano, situada na Piazzetta de Capri.
A escolha do local reforça a ligação permanente do cantor com a ilha onde nasceu, iniciou sua relação com a música e construiu parte importante de sua identidade artística.
Trajetória atravessou diferentes gerações
Peppino di Capri construiu uma das carreiras mais extensas e reconhecidas da música popular italiana. Ao longo de mais de seis décadas de atividade, gravou aproximadamente 500 canções e vendeu cerca de 35 milhões de discos.
Seu repertório reuniu música romântica, influências do rock and roll, ritmos dançantes e elementos da tradição napolitana. Essa combinação ajudou o artista a conquistar públicos de diferentes idades e nacionalidades.
“Champagne” tornou-se o principal símbolo de sua trajetória. A canção atravessou gerações e permaneceu associada ao nome de Peppino tanto na Itália quanto em outros países.
“Roberta” também ocupou lugar de destaque em sua discografia e ampliou a popularidade do cantor fora do território italiano. A música esteve entre as interpretações mais lembradas pelo público internacional.
A presença frequente em programas de televisão, festivais e grandes apresentações consolidou Peppino como um dos principais representantes da canção italiana no século 20.
Duas conquistas no Festival de Sanremo
A história do cantor também esteve profundamente ligada ao Festival de Sanremo, principal competição da música popular italiana. Peppino participou de 15 edições do evento e conquistou duas vitórias.
O primeiro triunfo ocorreu em 1973, com “Un grande amore e niente più”. Em 1976, voltou ao primeiro lugar com “Non lo faccia più”.
Além do desempenho em Sanremo, Peppino venceu o Festival da Canção Napolitana, uma das competições mais tradicionais da música do sul da Itália.
Em 2023, retornou ao palco de Sanremo para receber uma homenagem pelo conjunto da obra e pela contribuição à cultura musical do país.
Na ocasião, o cantor declarou que aguardava havia muito tempo aquele reconhecimento. Mesmo considerando que a homenagem havia chegado mais tarde do que esperava, afirmou estar feliz com a celebração de sua carreira.
Contato com a música começou ainda na infância
A vocação musical de Giuseppe Faiella apareceu nos primeiros anos de vida. Nascido em uma família de músicos, ele demonstrou habilidade com o piano desde criança.
Aos quatro anos, apresentou-se para soldados norte-americanos que estavam estacionados em Capri durante a Segunda Guerra Mundial. A experiência precoce colocou o jovem músico em contato com ritmos e referências estrangeiras.
Nos anos seguintes, estudou piano clássico, mas decidiu abandonar esse caminho para se aproximar do rock and roll, gênero que conquistava espaço entre os jovens europeus.
Ao lado do baterista Ettore Falconieri, formou o Duo Caprese. Posteriormente, o projeto deu origem aos Capri Boys, grupo influenciado por nomes como Buddy Holly e Pat Boone.
Em 1965, Peppino e sua banda participaram da abertura de apresentações dos Beatles durante a passagem do grupo britânico pela Itália. O episódio se tornou um dos momentos mais conhecidos do início de sua trajetória.
Rock ganhou espaço ao lado da tradição napolitana
Após as primeiras experiências em grupo, Peppino di Capri iniciou uma fase de reformulação artística. O músico passou a combinar elementos do rock, do twist e da canção tradicional napolitana.
A mistura criou uma identidade própria e permitiu que o artista preservasse suas origens culturais enquanto acompanhava as tendências internacionais que transformavam a música nas décadas de 1950 e 1960.
A mudança ampliou sua popularidade e abriu caminho para o período de maior projeção comercial. Peppino passou a ser reconhecido tanto por canções dançantes quanto por interpretações românticas.
Nas décadas seguintes, o piano, a voz marcante e as melodias sentimentais se tornaram características permanentes de suas apresentações.
A capacidade de unir ritmos modernos e tradições regionais também contribuiu para renovar a música napolitana e aproximá-la de um público mais jovem.
Popularidade alcançou o público brasileiro
Peppino di Capri manteve uma relação próxima com o Brasil, onde realizou diversas apresentações e reuniu admiradores de diferentes gerações.
Suas músicas ganharam espaço especialmente entre descendentes de italianos e apreciadores da música romântica europeia. “Champagne” e “Roberta” estiveram entre as canções mais conhecidas pelo público brasileiro.
As turnês pelo país reforçaram a projeção internacional do artista e ajudaram a ampliar a presença da música italiana no mercado nacional.
Mesmo depois do auge de sua carreira comercial, Peppino continuou sendo ouvido no Brasil, principalmente em programas dedicados à música romântica, celebrações e apresentações especiais.
A identificação com o público brasileiro transformou o cantor em um dos artistas italianos mais lembrados no país.
Últimos anos foram marcados por homenagens
Nos últimos anos, Peppino di Capri recebeu diferentes homenagens por sua contribuição à música italiana.
Além do reconhecimento no Festival de Sanremo, sua trajetória foi tema de produções televisivas e retrospectivas dedicadas à infância, ao início da carreira, à vida pessoal e aos principais sucessos.
A última aparição pública conhecida ocorreu em maio de 2026, durante a comemoração dos 90 anos de sua irmã, Margherita.
Depois da celebração familiar, o cantor não voltou a realizar novas aparições públicas divulgadas.
A despedida na ilha de Capri encerra simbolicamente uma trajetória que começou no mesmo local, ainda durante a infância, e permaneceu ligada à região durante toda a vida.
Artista ajudou a renovar a canção italiana
Peppino di Capri acompanhou diferentes momentos da indústria fonográfica e conseguiu manter sua obra conhecida mesmo depois das principais transformações no mercado musical.
Seu trabalho atravessou a era dos discos de vinil, das fitas, dos CDs e das plataformas digitais. Ao longo desse período, suas músicas continuaram circulando entre públicos de diferentes idades.
A contribuição do artista não se resume aos números de vendas ou às conquistas em festivais. Peppino participou de um processo de modernização da música italiana ao aproximar o rock and roll da tradição napolitana.
Essa combinação permitiu que canções regionais ganhassem novos arranjos e alcançassem ouvintes fora da Itália.
O cantor também ajudou a projetar internacionalmente o estilo romântico italiano, especialmente durante as décadas em que artistas europeus conquistaram espaço em diferentes continentes.
Legado permanece em centenas de gravações
Com aproximadamente 500 músicas registradas, Peppino di Capri deixa um repertório formado por baladas românticas, canções napolitanas e faixas influenciadas pelo rock e pelo twist.
Suas duas vitórias em Sanremo, as apresentações internacionais, os milhões de discos vendidos e a permanência de seus principais sucessos ajudaram a consolidar sua importância na história musical italiana.
“Champagne” ocupa lugar central nesse legado. A interpretação se transformou em uma das canções italianas mais conhecidas fora do país e permaneceu como marca definitiva da carreira do cantor.
A obra de Peppino continuará ligada à imagem de Capri e ao período em que a música italiana alcançou forte repercussão internacional.
Para o público brasileiro, o artista será lembrado principalmente pela voz romântica que embalou diferentes gerações e transformou “Champagne” em um clássico permanente.
*Da Agência Fonte Exclusiva
