O Conselho de Segurança das Nações Unidas aprovou, nesta quarta-feira, a Resolução 2817, que exige a interrupção imediata dos ataques realizados pelo Irã contra países do Conselho de Cooperação do Golfo e contra a Jordânia. A medida representa a primeira ação substantiva do órgão desde o início da escalada militar no Oriente Médio, há cerca de duas semanas.
O texto foi aprovado com 13 votos favoráveis. Rússia e China, tradicionalmente alinhadas a Teerã em diversas questões internacionais, optaram pela abstenção e não utilizaram o poder de veto para barrar a resolução. Nenhum país votou contra.
A resolução foi apresentada pelo Bahrein em nome dos seis países do Conselho de Cooperação do Golfo — Bahrein, Kuwait, Omã, Catar, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos — além da Jordânia. O documento também recebeu o copatrocínio de 135 países, número considerado um recorde para resoluções do Conselho de Segurança.
No texto, o órgão exige a cessação imediata de todos os ataques com mísseis e drones realizados pelo Irã contra esses países e afirma que as ações representam uma violação do direito internacional e uma grave ameaça à paz e à segurança internacionais.
A resolução também condena qualquer tentativa de bloquear ou interferir na navegação internacional no Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais estratégicas do mundo para o transporte de petróleo e gás natural liquefeito.
Após a votação, o representante do Bahrein na ONU, Jamal Al-Ruwaie, afirmou que a decisão envia uma mensagem clara de que a agressão contra países da região não será tolerada. Ele acrescentou que os Estados do Golfo reafirmam o direito de se defender diante das ameaças.
O conflito que levou à votação da resolução começou em 28 de fevereiro, quando Estados Unidos e Israel lançaram ataques aéreos coordenados contra alvos militares e centros de comando no território iraniano. A ofensiva foi descrita por Washington como parte da chamada “Operação Fúria Épica”.
Em resposta, o Irã lançou mais de mil mísseis e drones contra países do Golfo, alegando que os ataques tinham como objetivo atingir instalações militares dos Estados Unidos na região. Parte da ofensiva, no entanto, atingiu infraestrutura civil, como aeroportos, instalações de energia e hotéis, provocando pelo menos sete mortes nos países afetados.
Diante da escalada militar, o Conselho de Segurança realizou uma sessão de emergência ainda no dia 28 de fevereiro. Na ocasião, o secretário-geral da ONU, António Guterres, condenou tanto os ataques dos Estados Unidos e de Israel quanto as ações de retaliação do Irã, afirmando que ambos representam violações da Carta das Nações Unidas.
Durante as discussões, a Rússia apresentou um projeto alternativo de resolução pedindo que todas as partes envolvidas suspendessem as operações militares e retomassem negociações diplomáticas, sem citar diretamente nenhum país. A proposta seria analisada após a votação da resolução liderada pelos países do Golfo.
O embaixador do Irã na ONU, Amir Saeid Iravani, criticou a resolução aprovada e afirmou que o texto é tendencioso e politicamente motivado. Segundo ele, as operações iranianas tiveram como alvo exclusivamente instalações militares americanas.
Analistas internacionais avaliam que a decisão do Conselho de Segurança pode fortalecer juridicamente a posição dos países do Golfo na adoção de medidas defensivas caso o conflito continue se intensificando.
*Da Agência Fonte Exclusiva
