Milhões de pessoas foram às ruas neste sábado (18) em todos os 50 estados dos Estados Unidos em uma onda de protestos coordenados contra o presidente Donald Trump. Sob o lema “No Kings” (“Sem Reis”), os manifestantes afirmam que o país está à beira de um autoritarismo crescente e que “os EUA não foram feitos para ter monarcas”.
A mobilização, organizada por uma ampla coalizão de movimentos civis e partidos de oposição, registrou eventos em mais de 2.700 locais, de pequenas vilas a grandes metrópoles como Nova York, Washington DC, Atlanta, Chicago e San Francisco.
Em Chicago, cerca de 10 mil pessoas se reuniram no Grant Park empunhando cartazes com mensagens como “Resistir ao Fascismo” e “Mãos Fora de Chicago”. O prefeito Brandon Johnson discursou dizendo que “o governo Trump quer uma revanche da Guerra Civil” e conclamou o público a “não se curvar e não se submeter”.
Na capital Washington DC, mais de 200 mil manifestantes ocuparam o entorno do Capitólio em um dos maiores atos do dia. O senador Bernie Sanders, de Vermont, afirmou que os protestos são “um ato de amor à democracia americana” e rebateu críticas de aliados de Trump, que classificaram os atos como “antiamericanos”.
“Estamos aqui porque amamos este país e porque milhões lutaram por nossas liberdades ao longo da história”, declarou Sanders.
Em Atlanta, o senador Raphael Warnock alertou sobre a presença crescente de forças federais em cidades americanas.
“Se você é um cidadão americano, deve estar profundamente preocupado. Estamos vendo tropas federais surgirem em comunidades por todo o país”, disse.
Movimento nacional
O movimento No Kings surgiu em 2024 como resposta à tentativa de Trump de ampliar seus poderes presidenciais e à proposta de envio de tropas federais a cidades que se opunham às políticas migratórias da Casa Branca. Segundo os organizadores, mais de 200 entidades apoiaram a edição deste ano, defendendo uma resistência pacífica e pró-democracia.
Líderes da organização, como Lisa Gilbert, da Public Citizen, destacaram que o objetivo é “enfrentar o medo e o autoritarismo com unidade e coragem cívica”.
“O presidente quer que tenhamos medo, mas não seremos silenciados. Vamos permanecer firmes, pacíficos e orgulhosos”, afirmou.
Os protestos ganharam apoio de figuras políticas como Chuck Schumer, Chris Murphy e Bernie Sanders, e foram marcados por forte diversidade visual — com fantasias e performances — em alusão ao “absurdo” de uma presidência que, segundo os manifestantes, “atua como se fosse uma monarquia”.
Reação do governo
Donald Trump respondeu aos protestos em entrevista à Fox News, dizendo:
“Eles dizem que me chamam de rei. Eu não sou um rei.”
O presidente classificou as manifestações como “atos de ódio político”, enquanto o presidente da Câmara, Mike Johnson, chamou o movimento de “comício antiamericano”.
Governadores republicanos como Greg Abbott, do Texas, chegaram a mobilizar a Guarda Nacional antes dos atos, temendo distúrbios, mas as manifestações ocorreram de forma majoritariamente pacífica.
De acordo com a organização Harvard Crowd Counting Consortium, que monitora protestos nos EUA, o número de participantes pode ter variado entre 2 milhões e 4,8 milhões — configurando um dos maiores dias de mobilização popular do país desde a Marcha das Mulheres de 2017.
*Da Agência Fonte Exclusiva.
