Durante participação na Hannover Messe, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva apresentou uma agenda centrada na transição energética, cooperação internacional e nos efeitos sociais das novas tecnologias.
O discurso abordou temas que vão da economia à geopolítica, com ênfase na necessidade de articulação entre países.
Lula destacou o papel do Brasil como parceiro estratégico para a União Europeia, especialmente no fornecimento de energia limpa e na redução de custos industriais.
Segundo ele, o avanço dessa parceria depende do reconhecimento da matriz energética brasileira, majoritariamente renovável. O presidente também criticou o que classificou como narrativas distorcidas sobre a sustentabilidade da agropecuária nacional e possíveis barreiras à entrada de biocombustíveis no mercado europeu.
Ao comentar o cenário internacional, Lula mencionou tensões envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, apontando impactos indiretos desses conflitos, como a elevação dos preços do petróleo e dificuldades no acesso a fertilizantes.
Segundo ele, essas consequências atingem principalmente populações mais vulneráveis, ao pressionar custos de alimentos e energia.
O presidente também criticou os elevados gastos militares globais e cobrou maior responsabilidade dos membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU — formado por Estados Unidos, China, Rússia, França e Reino Unido — na busca por soluções diplomáticas.
No campo tecnológico, Lula afirmou que o país prepara, a partir de 2026, iniciativas voltadas à economia verde e à chamada Indústria 4.0.
Ele também alertou para os riscos associados ao uso da inteligência artificial, especialmente em aplicações militares sem regulamentação adequada.
A questão do emprego foi outro ponto central. O presidente defendeu a proteção dos trabalhadores diante das transformações tecnológicas e voltou a mencionar propostas como a redução da jornada de trabalho, destacando a necessidade de equilibrar inovação e inclusão social.
No comércio internacional, Lula criticou a estagnação da Organização Mundial do Comércio e sugeriu reformas na instituição.
Ele também ressaltou a importância do acordo entre Mercosul e União Europeia, que, segundo afirmou, pode ampliar mercados e fortalecer relações econômicas.
Na área ambiental, o presidente reafirmou o compromisso do Brasil com o desmatamento zero até 2030, citando reduções recentes na devastação da Amazônia e do Cerrado.
Ele também destacou o uso de biocombustíveis e o potencial do país na produção de hidrogênio verde.
Por fim, Lula mencionou a importância estratégica de recursos minerais brasileiros, como nióbio, grafita, terras raras e níquel, fundamentais para a transição energética e digital.
Segundo ele, o objetivo é ampliar parcerias internacionais que incluam transferência de tecnologia e agregação de valor à produção nacional.
*Da Agência Fonte Exclusiva.
