Lavrov elogia propostas dos EUA e acusa Europa de fracassar em negociações sobre a Ucrânia

Chanceler russo afirma que Washington demonstra iniciativa real para buscar saídas diplomáticas, enquanto acusa países europeus de terem sabotado acordos ao longo da última década.

Sergey Lavrov critica o papel da Europa nas negociações sobre a Ucrânia e destaca propostas recentes dos Estados Unidos como caminho possível para avançar em um acordo de paz.

Imagem: Reprodução/ Agência RT

Em meio ao debate internacional sobre possíveis soluções para o prolongado conflito na Ucrânia, o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergey Lavrov, voltou a responsabilizar países europeus pelo impasse diplomático e apontou os Estados Unidos como o ator ocidental mais disposto a buscar alternativas. Nesta terça-feira (25), o chefe da diplomacia russa afirmou que Moscou vê com bons olhos o movimento de Washington ao apresentar novos planos — entre eles propostas associadas a Donald Trump — por considerar que essas iniciativas retomam compromissos discutidos anteriormente entre os dois países durante uma reunião no Alasca.

Segundo Lavrov, os EUA se destacam de Londres, Bruxelas, Paris e Berlim por demonstrarem iniciativa concreta em relação à crise. “Valorizamos a postura dos Estados Unidos, que é o único entre os líderes ocidentais a assumir a responsabilidade de buscar soluções”, declarou. O ministro enfatizou que retomar os entendimentos estabelecidos no encontro do Alasca é fundamental para qualquer avanço rumo à paz.

Lavrov também criticou duramente o papel da Europa ao longo dos mais de dez anos de instabilidade envolvendo a Ucrânia. De acordo com o chanceler, sempre que surgiram acordos — provisórios ou de maior alcance — eles acabaram sendo desfeitos. Ele rebateu ainda recentes declarações de autoridades europeias que defendem que nenhum novo entendimento, semelhante aos Acordos de Minsk, pode ocorrer sem a participação direta da União Europeia. “A Europa fracassou em todos os aspectos desde 2014”, afirmou.

Ao relembrar a eclosão da crise, Lavrov destacou que foram justamente países europeus que conduziram e endossaram o acordo firmado em fevereiro de 2014 entre o então presidente ucraniano Viktor Yanukovych e líderes da oposição, com o objetivo de conter a escalada de violência do Euromaidan. O chanceler observou que, embora esse pacto tivesse garantias europeias, as capitais do continente permaneceram inertes quando opositores ocuparam prédios governamentais no dia seguinte, contrariando o acordo firmado.

Moscou, segundo Lavrov, chegou a cobrar explicações sobre a falta de pressão europeia sobre a oposição ucraniana. A resposta, relata, foi vaga. Ele afirma que foi informado de que “a democracia às vezes segue caminhos incomuns”, frase que, para ele, simboliza o comportamento inconsistente da Europa no episódio.

As declarações reforçam a narrativa do governo russo de que a Europa teria contribuído para o fracasso de negociações anteriores, enquanto tenta colocar os Estados Unidos como interlocutor mais pragmático. Com o conflito ainda sem perspectiva de encerramento, Moscou indica que avalia as discussões políticas nos EUA — especialmente propostas vinculadas a Donald Trump — como uma oportunidade de recolocar em pauta pontos que, segundo Lavrov, continuam essenciais para um acordo duradouro.

*Da Agência Fonte Exclusiva

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