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Khalil al-Hayya foi eleito novo líder do Hamas e assume o grupo em meio às negociações sobre cessar-fogo, reféns, desarmamento e futuro de Gaza.

Imagem: Reprodução/ Gettyimages.ru / Chris McGrath / Staff / Via RT

Khalil al-Hayya é escolhido para liderar o Hamas em momento decisivo para Gaza

Dirigente venceu disputa interna contra Khaled Meshaal e assume a organização sob pressão por acordos, desarmamento e reorganização política.

redacao Por redacao
20/07/2026 - 15:29
em Internacional
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A definição de um novo comando encerra uma fase de quase dois anos de decisões compartilhadas dentro do Hamas.

Khalil al-Hayya foi escolhido nesta segunda-feira (20) para assumir a principal função política da organização palestina, em um período marcado por perdas na liderança, pressões internacionais e incertezas sobre o futuro da Faixa de Gaza.

A eleição formaliza a ascensão de um dirigente que já ocupava posição central nas negociações indiretas com Israel. Al-Hayya vinha representando o grupo em discussões envolvendo cessar-fogo, libertação de reféns israelenses, soltura de prisioneiros palestinos, retirada de tropas e entrada de ajuda humanitária no território.

Ele sucede o modelo provisório estabelecido após a morte de Yahya Sinwar, em outubro de 2024. Desde então, o Hamas era administrado por um conselho composto por cinco integrantes, criado para evitar a concentração imediata do poder em apenas uma pessoa.

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Al-Hayya fazia parte desse colegiado e já exercia influência sobre as decisões políticas e estratégicas da organização.

Disputa interna chegou ao segundo turno

A escolha foi realizada por meio de votação no Conselho Shura, estrutura responsável pelas principais deliberações internas do Hamas.

Khalil al-Hayya enfrentou Khaled Meshaal, antigo chefe do escritório político e um dos representantes mais conhecidos da organização no exterior. Como nenhum dos dois alcançou o apoio necessário inicialmente, a disputa avançou para uma segunda rodada.

A vitória de Al-Hayya demonstra o fortalecimento do núcleo ligado à Faixa de Gaza, ainda que o novo líder viva fora do território palestino.

Meshaal mantém influência entre integrantes do movimento estabelecidos em outros países, mas não conseguiu reunir votos suficientes para retornar ao principal posto da organização.

Mortes provocaram mudanças no comando

A estrutura de liderança do Hamas passou por alterações profundas desde 2024.

Ismail Haniyeh, que comandava o escritório político, morreu em julho daquele ano. Yahya Sinwar foi escolhido para substituí-lo, mas permaneceu poucos meses na função antes de morrer durante uma operação israelense na Faixa de Gaza.

Diante dessas perdas, a organização adotou uma direção coletiva. O modelo pretendia preservar a continuidade das decisões, reduzir a vulnerabilidade dos dirigentes e manter a articulação entre as diferentes alas do movimento.

A eleição de Al-Hayya encerra essa etapa e devolve a condução política a um único líder.

Negociações deram projeção ao dirigente

Nos últimos anos, Khalil al-Hayya tornou-se um dos principais interlocutores do Hamas nas conversas mediadas por outros países.

Representantes do Catar e do Egito participaram de diferentes rodadas destinadas a aproximar as posições de Israel e da organização palestina. Turquia, Estados Unidos e outros atores internacionais também acompanharam ou contribuíram para partes do processo.

As discussões envolveram a suspensão das operações militares, a libertação de pessoas mantidas em cativeiro, a troca de prisioneiros e a ampliação da ajuda humanitária.

Mesmo antes da eleição, Al-Hayya já participava da formulação das propostas apresentadas pelo grupo. Por isso, sua chegada à liderança não representa uma mudança automática nas posições defendidas pelo Hamas.

A principal diferença será a autoridade formal para coordenar as decisões e representar a organização diante dos mediadores.

Desarmamento será um dos maiores desafios

Entre os assuntos mais difíceis está a exigência de que o Hamas entregue suas armas e abandone sua estrutura militar.

Israel e países envolvidos nas negociações consideram o desarmamento uma condição essencial para qualquer acordo duradouro sobre a administração e a reconstrução da Faixa de Gaza.

O Hamas, por outro lado, resiste a abrir mão de sua capacidade armada sem garantias relacionadas à retirada das tropas israelenses, à criação de um Estado palestino e à proteção da população do território.

Al-Hayya é identificado com uma posição mais resistente sobre esse tema. Também mantém relações com o Irã e com grupos regionais aliados de Teerã.

O novo líder precisará equilibrar essas alianças com a necessidade de manter abertos os canais diplomáticos que podem impedir uma nova escalada do conflito.

Situação humanitária mantém pressão

A mudança ocorre em um cenário de grande destruição na Faixa de Gaza.

Moradias, hospitais, estradas, escolas e outros serviços essenciais foram atingidos durante o conflito. Parte significativa da população foi deslocada, enquanto o acesso a alimentos, medicamentos, água e energia permanece limitado em diversas áreas.

Mesmo durante períodos de redução dos combates, ataques e confrontos continuaram sendo registrados.

Israel afirma que suas operações têm como alvo integrantes do Hamas e de outros grupos armados. Autoridades palestinas relatam a continuidade das mortes e dos danos à população civil.

Esse ambiente aumenta a pressão sobre o novo dirigente, que terá de conduzir negociações sem perder apoio dentro da organização.

Administração civil passa por transição

O Hamas também enfrenta discussões sobre sua participação no governo da Faixa de Gaza.

O grupo anunciou a transferência de responsabilidades administrativas para uma estrutura palestina de caráter técnico. A proposta prevê que especialistas sem vinculação partidária direta assumam serviços públicos e atividades civis.

A medida não significa o desaparecimento do Hamas como força política ou militar. A organização continua possuindo integrantes, redes de apoio e influência dentro e fora do território.

A eleição de Al-Hayya ocorre justamente durante essa tentativa de separar a gestão dos serviços públicos das decisões políticas e de segurança.

Nascido na Faixa de Gaza, Khalil al-Hayya construiu sua carreira dentro das estruturas políticas do Hamas.

Ele integrou o Conselho Legislativo Palestino, exerceu funções de direção regional e ocupou a vice-presidência do escritório político.

Nos últimos anos, passou a viver em Doha, no Catar, onde parte da direção externa da organização mantém suas atividades.

Mesmo distante fisicamente da Faixa de Gaza, permaneceu envolvido nas principais decisões e tornou-se responsável pela condução de conversas com mediadores internacionais.

Sua experiência nas negociações foi um dos fatores que favoreceram sua candidatura ao comando geral.

O Hamas reúne diferentes núcleos de poder. Há dirigentes ligados a Gaza, representantes da Cisjordânia, integrantes mantidos em prisões israelenses e lideranças que vivem no exterior.

Esses grupos compartilham objetivos gerais, mas podem divergir sobre estratégias militares, alianças internacionais e possíveis concessões em negociações diplomáticas.

Al-Hayya terá de impedir que essas diferenças provoquem divisões internas. Também precisará reorganizar estruturas afetadas pelas operações israelenses e restabelecer canais de comunicação entre os diferentes setores.

Outro desafio será responder às críticas relacionadas às consequências da guerra para a população palestina.

A destruição de Gaza, o deslocamento de moradores e o elevado número de vítimas aumentaram os questionamentos sobre as escolhas feitas pelo Hamas desde outubro de 2023.

Relações regionais terão peso

A atuação do novo líder também será influenciada pelas relações com países e organizações do Oriente Médio.

O Catar deverá permanecer como um dos principais mediadores e como local de atuação de parte da direção política do Hamas.

O Egito exerce papel importante por controlar uma das principais ligações terrestres da Faixa de Gaza com o exterior e por participar das negociações sobre segurança e circulação de pessoas.

O Irã continuará sendo observado devido ao apoio político e militar historicamente oferecido ao Hamas e a outros grupos aliados na região.

A Turquia também mantém canais de diálogo com representantes da organização e poderá continuar envolvida nas articulações diplomáticas.

Nova liderança será acompanhada por Israel

Israel deverá observar os primeiros movimentos de Al-Hayya para avaliar se haverá alteração nas posições sobre reféns, desarmamento e administração de Gaza.

A escolha de um dirigente já conhecido pelas autoridades e pelos mediadores pode facilitar a continuidade dos contatos indiretos. Ao mesmo tempo, suas posições sobre a manutenção da estrutura militar poderão dificultar possíveis acordos.

O novo líder também terá de definir como o Hamas responderá às propostas relacionadas à reconstrução do território e à criação de uma administração palestina apoiada internacionalmente.

Essas decisões poderão determinar se a região avançará para uma solução política ou retornará a um período de confrontos mais intensos.

Mudança formaliza nova etapa

A escolha de Khalil al-Hayya não representa uma ruptura imediata, pois ele já fazia parte do núcleo responsável pelas decisões do Hamas.

A eleição, entretanto, define uma autoridade central depois de um longo período de direção coletiva.

Al-Hayya assume uma organização enfraquecida militarmente, pressionada por diferentes governos e desafiada a manter a unidade entre suas alas.

Sua liderança será medida pela capacidade de conduzir negociações, administrar as relações internacionais e definir o papel do Hamas no futuro político da Faixa de Gaza.

O encerramento do comando provisório abre, assim, uma nova etapa para o movimento palestino. As decisões tomadas pelo novo líder terão consequências não apenas para a estrutura interna da organização, mas também para as tentativas internacionais de alcançar estabilidade na região.

*Da Agência Fonte Exclusiva

Tags: #CessarFogo#FaixaDeGaza#Geopolítica#Hamas#Israel#KhaledMeshaal#KhalilAlHayya#OrienteMédio#Palestina#YahyaSinwar
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