Um ataque israelense neste domingo (10) matou cinco profissionais da emissora Al Jazeera na Faixa de Gaza, incluindo o jornalista Anas al-Sharif, vencedor do Prêmio Pulitzer em 2024. Israel assumiu a autoria e afirmou que o repórter liderava uma célula do Hamas responsável por ataques com foguetes, alegação negada pela rede de TV e por organizações de direitos humanos.
A ação ocorreu perto do Hospital Al-Shifa, na Cidade de Gaza, e também matou civis e danificou a entrada do setor de emergências. Segundo a Al Jazeera, o ataque foi uma “tentativa desesperada” de silenciar vozes críticas à ocupação de Gaza. Entre as vítimas estavam também Mohammed Qreiqeh, Ibrahim Zaher e Mohammed Noufal.
O Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ) e a ONU afirmam que Israel não apresentou provas consistentes das acusações contra Sharif. ONGs destacam que ele já havia sido alvo de ameaças por suas reportagens na linha de frente e lembram que jornalistas internacionais estão proibidos de entrar em Gaza desde outubro de 2023, tornando a imprensa local a única fonte de informação sobre o conflito.
De acordo com o CPJ, pelo menos 186 jornalistas foram mortos desde o início da ofensiva israelense. O governo de Gaza, controlado pelo Hamas, fala em 237 vítimas da categoria. A morte de Sharif e seus colegas ocorre em meio ao agravamento da crise humanitária e à promessa de uma nova ofensiva militar israelense para eliminar redutos do Hamas.
Israel e Al Jazeera mantêm uma relação tensa há anos. Em 2024, o canal foi proibido de operar no país sob alegação de ameaça à segurança nacional. A emissora acusa Israel de perseguição e de matar deliberadamente seus jornalistas em conflitos anteriores.
Da Agência Fonte Exclusiva.
